A morte de um PM
Redação DM
Publicado em 10 de fevereiro de 2016 às 22:19 | Atualizado há 10 anos
No último dia 5/02, um acompanhamento policial terminou de forma trágica culminando na morte do policial militar do DF Cabo Renato Fernandes da Silva, quando a viatura em que estava capotou próximo à cidade de Águas Lindas/GO, ao acompanhar criminosos em um Toyota Corola roubado no DF. Fatos como este nos leva obrigatoriamente à várias reflexões, dentre elas, e não menos grave do que a própria perda do colega, é o fato de observar grande parte da população que passava pelo local, vaiando e xingando os policiais que faziam o isolamento do local do acidente, numa espécie de “frenesi macabro” (relatos de um colega que estava no local). De onde vem esse ódio e desprezo pela polícia?
É absolutamente normal você não gostar ou não concordar com algo, mas, sorrir e tripudiar diante de uma situação em que um policial perdeu sua vida tentando amenizar a perda material de uma pessoa que sequer conhecia é totalmente incompreensível. É sabido que em toda categoria existe os maus e os bons profissionais. Assim como existe os maus policiais, também existem os maus médicos, os maus políticos, os pastores corruptos, os padres pedófilos, os advogados inescrupulosos etc, etc. Mas, será que na polícia militar nenhum de seus homens está à altura de um pouco de compaixão?
O colega que se foi tinha família, irmãos e amigos, que, com certeza, assim como nós da família policial, também estão sofrendo neste momento. Fato é que mais um irmão perdeu a vida hoje cumprindo o juramento que fez ao ingressar na polícia militar, que é o defender a sociedade com o risco da própria vida. Vida esta que para a sociedade a qual morreu defendendo, não vale nada. Muitos ainda dirão que não fez mais que sua obrigação, pois, quando ingressou na polícia sabia dos riscos que correria. Espera aí! Auto lá! A sociedade pela qual estamos dispostos a morrer, definitivamente não é esta.
Chego à triste conclusão de que nossa sociedade é que está doente; ferida de morte. Por isso, quando riram do corpo daquele ser humano fardado, jogado no asfalto molhado, mal sabiam que zombavam de si mesmos.
SGT Josivanio/PMGO
(Coronel Avelar Lopes de Viveiros, comandante do policiamento ambiental de Goiás)