Economia

AIE reduz crescimento de demanda por petróleo em 2016

Redação DM

Publicado em 9 de fevereiro de 2016 às 06:45 | Atualizado há 10 anos

LONDRES – O mundo vai estocar petróleo na maior parte do ano de 2016 à medida em que a queda na produção dos Estados Unidos se estabilizou e a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) dificilmente chegará a um acordo para redução de produção atualmente nas alturas, informou a Agência Internacional de Energia (AIE).

A agência, que coordena as políticas de energia nos países industrializados, disse que, ao mesmo tempo que não acreditava que os preços do petróleo poderiam seguir algumas das mais extremas estimativas e cair a um preço tão baixo quanto US$ 10 por barril, também achava difícil enxergar como poderiam subir na comparação ao patamar de preço vigente.

A entidade, com sede em Paris, revisou sua previsão para o crescimento da demanda por petróleo para 2016, que agora está em 1,17 milhão de barris por dia seguindo uma alta por cinco anos consecutivos que chegou a 1,6 milhão de barris por dia em 2015.

E cortou sua projeção de produção entre os membros da Opep em cem mil barris por dia, para 31,7 milhões de barris por dia. A novo número fica bem abaixo da produção registrada em janeiro pelo grupo, que foi de 32,6 milhões de barris por dia.

“Especulações recorrentes sobre um acordo entre a Opep e grandes produtores não associados à organização para cortar produção parece ser apenas isso: especulação. É responsabilidade da Opep fazer ou não cortes em produção sozinha ou em conjunto com outros produtores, mas a probabilidade desses cortes coordenados é muito baixa”, afirmou a AIE.

Os preços do petróleo entraram em colapso nos últimos 18 meses para menos de US$ 30 por barril, despencando de US$ 115, enquanto a Opep abriu suas torneiras para expulsar produtores como os de shale gas (gás não convencional) dos EUA para fora do mercado.

Os braços preços do petróleo impulsionaram a demanda global mas não o suficiente para absorver todo o óleo cru produzido. Como resultado, o petróleo não consumido foi guardado, elevando os estoques mundiais ao patamar recorde de mais de três bilhões de barris.

A produção americana de shale gas começou a cair devido aos baixos preços e a Opep disse que vê o mercado se estabilizando mais para o fim de 2016 quando a demanda finalmente irá se encontrar com a oferta.

A AIE, contudo, acredita que a oferta poderá continuar a superar a demanda ao longo de todo 2016, adicionando que assistiu a uma queda de apenas 0,6 milhão de barris de petróleo por dia na produção de não filiados à Opep também neste ano.

De acordo com a agência, “o número poderia ser maior, é claro, e os executivos de companhias internacionais de petróleo disseram o mesmo, mas existe uma duradoura sensação de que a grande queda na produção de shale gas nos EUA está levando um tempo terrivelmente longo para acontecer. Declarou ainda que espera que o dólar continue forte, o que representa maior pressão pela redução dos preços do petróleo.

Com a demanda global por óleo mais fraca, bem como novos ganhos em produção em Iraque, Irã e Arábia Saudita, baixas chances de um acordo com a Opep, produção resiliente nos EUA e dólar mais forte, a AIE disse que a abundância global de petróleo só vai piorar.

Ainda que a produção da Opep permanecesse estável, os estoques globais cresceriam em dois milhões de barris de petróleo por dia no primeiro trimestre, seguida de uma alta de 1,5 milhão de barris por dia no segundo trimestre.

“Número em oferta e demanda para o segundo semestre do ano sugerem aumento dos estoques, desta vez em 0,3 milhão de barris por dia. Se esses números se provarem corretos, e com o mercado já inundado de petróleo, será muito difícil haver aumento relevante de preços no curto prazo. Nessas condições, o risco de piora no curto prazo aumentou”, informou a agência.

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