Fitch corta ratings da Gol citando resultados operacionais fracos
Redação DM
Publicado em 5 de fevereiro de 2016 às 03:16 | Atualizado há 10 anosSÃO PAULO – A agência de classificação de risco Fitch rebaixou os ratings da companhia aérea Gol, citando expectativas de que o perfil de crédito da empresa continue se deteriorando principalmente pelos resultados operacionais fracos em meio ao ambiente macroeconômico e corporativo difícil no Brasil. Os Ratings de Probabilidade de Inadimplência do Emissor (IDRs, na sigla em inglês) de longo prazo em moeda estrangeira e local da Gol foram cortados para “CCC” ante “B-“. O rating nacional de longo prazo foi reduzido para “CCC(bra)” ante “BBB-(bra)”.
“A desvalorização do real frente ao dólar diminuiu a capacidade da Gol de se beneficiar da queda dos preços do petróleo em 2015. A Fitch acredita que o custo operacional da companhia por assento disponível por quilômetro (CASK), excluindo os custos com combustível, manterá a tendência de aumento em 2016. A Gol enfrentará dificuldades para manter, no atuais patamares, despesas referentes a salários e aluguel de aeronaves, devido à crescente pressão exercida pelas taxas de inflação”, diz a nota da Fitch.
Segundo a Fitch, a Gol deve reportar ganhos antes de juros em torno de 3,5% este ano, devido à “expectativa de enfraquecimento da receita líquida, bem como na capacidade limitada da Gol de manter seus custos sob controle”. A agência afirma que o modelo de negócios da companhia aérea apresenta baixa diversificação de produtos e geográfica, uma vez que é voltado, sobretudo, ao mercado de passageiros domésticos do Brasil.
A possível dificuldade em gerenciar as despesas da Gol se deve à alta exposição cambial da companhia, conforme a nota da Fithc.
“A Gol gera cerca de 90% de sua receita em reais, enquanto aproximadamente 50% de seu custo total e 80% da dívida total estão denominados em dólares”, afirma o comunicado.
A Fitch afirmou que revisou projeções de crescimento pro Brasil, que pode ter queda de 2,5% no PIB, “com possibilidade de ligeira recuperação em 2017”.