Vale dispara 15% seguindo concorrentes e Bolsa sobe 3,11%; dólar cai a R$ 3,89
Redação DM
Publicado em 4 de fevereiro de 2016 às 05:00 | Atualizado há 10 anosRIO – O dólar comercial aprofundou sua queda contra o real nesta quinta-feira, após ter fechado no menor valor do ano na quarta por causa de dados fracos sobre o setor de serviços dos Estados Unidos. A divisa recou hoje 0,61%, cotada a R$ 3,894 para compra e a R$ 3,896 para venda, a menor cotação desde 29 de dezembro. Na mínima, porém, a divisa chegou a valer R$ 3,846, e algumas casas de câmbio chegaram a oferecer o dólar turismo por menos de R$ 4. Globalmente, o dólar caiu 0,57% contra uma cesta de dez moedas, segundo o índice Dollar Spot, da Bloomberg. Ontem, o indicador já havia recuado 1,68%.
No mercado acionário, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) saltou 3,11%, aos 40.821 pontos. O pregão foi puxado pela disparada das ações da Vale, que acompanhou o desempenho de outras mineradoras pelo mundo na semana em que o minério de ferro avançou mais de 9%. Segundo analistas, as commodities são favorecidas pela enfraquecimento do dólar, com a perspectiva de que os sinais de fragilidade da economia global farão o Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA) a postergar os aumentos de juros planejados.
— Trata-se de um movimento mais técnico do que atrelado a fundamentos. Nossa Bolsa tem papéis que vinham muito pressionados, e o que acontece hoje é um movimento de correção — disse Ignácio Rey, da corretora Guide. — Tivemos também uma alta do minério e de outras commodities metálicas, o que foi intensificado pela proximidade do feriado do Ano Novo chinês, que fechará o mercado por lá durante vários dias.
As ações Vale ON saltaram 14,76% (R$ 10,34) e a PN, 11,35% (R$ 7,75). Foi a maior alta diária dos papéis ON desde janeiro de 1999, e o maior salto da ação PN desde novembro de 2008. A brasileira acompanha a disparada de suas concorrentes pelo mundo. O índice da Bloomberg que reúne as maiores mineradoras do mundo salta 9,60%, a maior alta diária desde 2009. A Anglo American saltou 19,95%, enquanto a Glencore subiu 15,97%. A Rio Tinto avançou 10,27%, e a BHP, 8,27%.
O bom humor com as mineradoras também se refletiu nas siderúrgicas, com a CSN avançando 9,76%, a Gerdau subindo 10,48%, e a Usiminas, 6,25%.
A Petrobras ON também disparou, subindo 7,93% (R$ 6,67) e a PN avançando 5,35% (R$ 4,73). Isso apesar de o barril de petróleo do tipo Brent estar caindo 1,91%, a US$ 34,37. Mas na véspera ele saltou 7,09% com a queda brusca do dólar.
— O que está acontecendo hoje não tem absolutamente nada a ver com o fundamento das empresas, não há muita racionalidade envolvida. Tem muita gente já entendo que aquele movimento forte de venda global que marcou janeiro foi revertido, os investidores passaram a comprar. Uma hora eles tinham que remontar suas posições. No caso de Vale e Petrobras, nada mudou para as empresas. Só que são papéis que têm uma liquidez muito grande, logo há sempre pressão exagerada nas duas pontas — afirmou Adeodato Volpi Netto, da Eleven Financial Research.
Os bancos também subiram. O Banco do Brasil ON avançou 3,99% (R$ 13,80), enquanto o Bradesco subiu 5,45% (R$ 19,73). O Itaú Unibanco PN subiu 1,45% (R$ 24,56).
— A agenda interna é vazia. O mercado está seguindo o desempenho externo, que está positivo. Eu não acredito que o Fed suba juros esse ano dada a conjuntura — Ricardo Zeno, sócio-diretor da AZ Investimentos.
Na Europa, o índice de referência Euro Stoxx 50 subiu 0,30%, enquanto a Bolsa de Londres, que concentra as mineradoras, avançou 1,06%. Em Wall Street, o índice Dow Jones sobe 0,45%, enquanto o S&P 500 cai 0,16%.