“Sou candidato a prefeito”
Redação DM
Publicado em 2 de fevereiro de 2016 às 21:04 | Atualizado há 10 anos
O pedagogo e empresário Ernani de Paula retornou à Anápolis, ano passado, para reativar a militância política, já que residia em São Paulo desde que foi afastado da prefeitura, por ato do governo do Estado e, posteriormente, com o mandato cassado pela Câmara Municipal. Ele exerceu o cargo de prefeito de 2001 a 2003.
Aos 58 anos, “mais amadurecido, humilde, sem ódio e ressentimento”, Ernani de Paulo anuncia candidatura à sucessão do prefeito João Gomes (PT), depois de admitir concorrer à Câmara de Vereadores. “Volto com muita humildade, diferente do que pode ter acontecido no passado pela falta de experiência, pela idade. Volto mais maduro, mais pé no chão.”
O ex-prefeito promete, na campanha, fazer oposição “consciente e responsável” ao governo do PT na cidade de Anápolis. “Anápolis precisa de novas ideias, reformular a política provinciana que predomina. Anápolis hoje não tem oposição. A cidade se acostumou com a administração passada, comandada pelo PT. Na verdade, o PT fez a política perder a alegria.”
Ernani de Paula diz que as divergências políticas com o governador Marconi Perillo “pertencem ao passado”. Ele confirma que já teve vários encontros com o governador e que o último ocorreu, ano passado, no Palácio das Esmeraldas.
DM – Por que o senhor voltou à atividade política em Anápolis?
Ernani de Paula – Voltei porque é minha cidade de origem política, meu berço, minha cidade do coração. Acredito que posso contribuir muito com a cidade. Anápolis precisa de novas ideias, reformular a política provinciana que predomina. Anápolis hoje não tem oposição. A cidade se acostumou com a administração passada, comandada pelo PT. Na verdade, o PT fez a política perder a alegria. A Câmara Municipal diz amém a tudo. Nem o PSDB local faz oposição fervorosa ao governo local. Volto com muita humildade, diferente do que pode ter acontecido no passado pela falta de experiência, pela idade. Volto mais maduro, mais pé no chão.
DM – E o senhor pretende desempenhar esse papel…
Ernani de Paula – Eu faço hoje essa papel de oposição consciente, responsável, apontando os problemas da cidade, com sugestão para soluções desses problemas. É isso que uma oposição consciente precisa fazer.
DM – Qual o legado que o senhor deixou para Anápolis?
Ernani de Paula – A modernidade com a implantação de serviços públicos de qualidade para a população. Municipalizei a saúde. Hoje, a saúde recebe mais de 160 milhões do governo federal. Fiz um banco de horas na segurança pública, algo inédito naquela ocasião, com o policiamento ostensivo, em convênio com a Polícia Militar. Hoje São Paulo copia o nosso modelo. Implantamos a Prefeitura 24 horas, um projeto inédito no País, com autoatendimento ao cidadão. Implantamos o Cheque Social, quando mais de 60 entidades recebiam o benefício diretamente da prefeitura. Modernizamos os serviços de coleta de lixo, acabando com os feudos existentes nesta área. Enfrentei, com ousadia, os problemas da cidade.
DM – No seu blog, o senhor tem dito que não guarda ódio, ressentimento político em Anápolis e em Goiás…
Ernani de Paula – Nem políticos nem pessoais. O meu coração não comporta esse tipo de sentimento.
DM – As suas divergências políticas com o governador Marconi Perillo pertencem ao passado?
Ernani de Paula – São divergências superadas. A vida mostra que temos que olhar para frente e não olhar pelo retrovisor. Quem olha pelo retrovisor vai enxergar o passado, que nada traz de benefício. O passado serve para tirarmos lições para o presidente e o futuro, nunca para guardar rancor. Foi um momento político, em 2003. O governador, à época, tinha lá o seu entendimento. Entendo que Marconi Perillo está maduro hoje para perceber até que tenha cometido um equívoco. Já estivemos juntos em outras oportunidades, em São Paulo. Ele me fez, em 2008, uma visita, conversamos longamente. Ele até me pediu apoio ao candidato a prefeito, Ridoval Chiareloto. E agora, recentemente, o governador me convidou para uma conversa no Palácio das Esmeraldas, uma conversa cordial e amena. Esses fatos, portanto, estão superados há muito tempo. Tenho respeito pelo governador, que exerce o seu quarto mandato em Goiás e que tem um futuro político promissor e importante para o Brasil.
DM – Quais são as prioridades de seu plano de governo para Anápolis?
Ernani de Paula – Lutei muito e luto para a cidade tenha condições mínimas de bem estar. Comigo, a cidade não terá água, segurança e saúde. São as três áreas que a cidade hoje precisa.
DM – O senhor respondeu a vários processos judiciais por questionamentos de atos administrativos quando exercia a prefeitura de Anápolis. O) senhor hoje é elegível?
Ernani de Paula – Nunca estive inelegível. Os questionamentos administrativos já estão superados. Por exemplo, a desembargadora Nelma Perillo, em sua sentença, disse que havia ocorrido na minha gestão falha administrativa, já corrigida, e não dolo. Fui inocentado pelo Judiciário. Todo político no Brasil tem algum tipo de problema quando exerce cargos executivos ou legislativos. Veja aí: a metade do PT está presa. Existem 20 ministros do governo Dilma que respondem a processos na Justiça. A minha questão, que houve naquele tempo fui política. E a minha pena já foi paga com a perda de meu mandato de prefeito. Houve uma imposição política, nunca através da Justiça. A Justiça nunca determinou a minha perda de mandato e sim os políticos locais que não queriam a modernização da cidade.