Irã precisará de 500 aviões para retornar à rede de aviação global, diz ministro
Redação DM
Publicado em 25 de janeiro de 2016 às 06:45 | Atualizado há 10 anosNOVA YORK – O Irã precisará de 500 novas aeronaves para retornar à atividade na rede global de aviação, um movimento que inclui a necessidade de retomar voos diretos para os Estados Unidos pela primeira vez em 36 anos. Segundo a CNN Money, Abbas Akhundi, ministro dos Transportes do Irã afirmou à emissora americana que, sem as sanções econômicas — suspensas em 16 de janeiro —, o país pretende desembolsar grandes quantias com a Boeing e a Airbus.
O período sob impacto das restrições que impediam em larga escala o comércio iraniano com o exterior fez com que os aviões no país ficassem ultrapassados e inseguros.
— Pensamos em cerca de 100 (aviões) para frota de curta distância para nossos voos locais. E para voos internacionais cerca de 400, que podem fazer voos médios e longos — disse o ministro à CNN. — O Irã vai competir, em cinco a sete anos, com as maiores companhias aéreas regionais.
No domingo, o ministro dos Transportes do país, Abbas Akhundi, anunciou que firmará contrato para esta semana, durante a visita do presidente, Hasan Rohani, à França, na quarta-feira. A Airbus não comentou a informação pois “não comenta qualquer negociação com novos clientes existentes ou em potencial”.
Rouhani está em viagem oficial pela Europa esta semana para retomar laços comerciais com os governos europeus. Segundo a CNN Money, o Irã já negocia a retomada de voos para os Estados Unidos, suspensos em 1979 em meio à Revolução Islâmica no país.
“A Organização Iraniana de Aviação Civil está conduzindo negociações sobre voos diretos entre o Irã e os Estados Unidos”, declarou o presidente da companhia Iran Air, Farhad Parvaresh, conforme citado em reportagem da agência de notícias estatal IRNA. “Voos diários para Nova York aconteciam antes da Revolução Islâmica, e esperamos que sejam retomados no futuro próximo”.
Segundo a CNN Money, a British Airways pode ser uma das primeiras companhias aéreas ocidentais a retornar ao país:
“Estamos muito interessados em voar para Teerã e temos esperança de que fará parte da rede da BA no futuro próximo”, afirmou Willie Walsh, CEO da matriz da companhia, a IAG, em uma conferência em Dublin, na Irlanda.
ACORDOS COM A ITÁLIA
O presidente Rohani assinou nesta segunda-feira, em Roma, uma série de acordos comerciais com o governo italiano em sua primeira visita oficial em 17 anos de um mandatário iraniano à Europa.
— Entramos em uma nova era para a paz e a estabilidade — assegurou o primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, ao final de um encontro com o mandatário iraniano na sede da prefeitura de Roma, segundo a AFP.
Segundo fontes econômicas, a Itália assinou contratos em setores como ferroviário, de segurança e farmacêutico por um montante entre 15 e 17 bilhões de euros. O presidente iraniano garantiu que seu país está abrindo as portas aos investimentos da Itália e Europa porque quer se tornar um “hub”, um ponto central de toda a região.
— A Itália era o principal parceiro econômico e comercial do Irã antes das sanções — lembrou a ministra de Desenvolvimento, Federica Guidi, segundo a agência.
O comércio entre os dois países chegava a movimentar € 7 bilhões antes das sanções. Hoje, alcança € 1,6 bilhão, dos quais três quartos são exportações da Itália, de acordo com a AFP.