“Definição virá da iluminação divina e do coração do povo”
Redação DM
Publicado em 24 de janeiro de 2016 às 22:27 | Atualizado há 10 anos
Ex-prefeito Iris Rezende afirmou que não chegou o momento de anunciar se irá disputar a prefeitura de Goiânia, pela quarta vez, conforme vontade dos membros do PMDB. “Tenho pedido muito a Deus me iluminar neste momento. Não sei se está me faltando entusiasmo para este projeto, por qualquer razão. Quem vai definir esse projeto, estou certo, é a iluminação divina e o coração do povo, naturalmente.”
Em entrevista ao repórter Rubens Salomão, da rádio 730/AM, Iris Rezende explicou que recusou convite para assumir a presidência do PMDB estadual para permitir que companheiros assumam o “comando partidário” e que se preparem para disputar novas eleições em Goiás “Vocês (peemedebistas) têm que aprender a tomar decisões políticas, têm que se dispor a candidatar em eleições sem dividir o partido. Isso é salutar, é democrático.”
Questionado sobre a sua relação com o prefeito Paulo Garcia (PT), Iris Rezende foi seco: “- Ele está lá, eu estou aqui. Ele tomou o rumo dele lá, se uniu ao governo de Goiás. O prefeito não me deu explicação, eu nunca pedi. Ele é o prefeito. Eu tenho que enfiar a viola no saco. Já fui prefeito, não sou mais.”
Mais uma vez, o líder do PMDB se posicionou contra a privatização da Celg: “A Celg não foi cedida ainda integralmente, mas já se vê que a companhia acabou. Já se viu o que virou, o que o povo goiano está sofrendo hoje. Eu sabia que o dia em que o governo de Goiás perdesse a Celg, os goianos iriam viver uma situação dramática em relação à energia elétrica.”
Iris Rezende se posicionou contra a prorrogação da concessão dos serviços de água e esgoto de Goiânia à Saneago. “Por que prorrogar essa concessão ao Estado se o governo está privatizando direção de hospital e escola? É para privatizar também os serviços de água e esgoto, não se entende outra coisa.”
Veja a entrevista
Como o senhor recebe o apelo do PMDB de Aparecida de Goiânia para disputar a prefeitura da Capital?
– Recebi uma comissão numerosa da nossa vizinha Aparecida de Goiânia, liderada pelo pré-candidato a prefeito daquela cidade e, ao mesmo tenho, um apelo para que me candidate a prefeito de Goiânia, uma vez que, dizia a comissão, que a prefeitura de Aparecida de braços dados com a prefeitura de Goiânia, poderemos realizar um trabalho comum, juntos e desenvolver projetos importantes para as comunidades. E tem razão porque hoje uma avenida muito movimentada, com um comércio atuante, a Rio Verde, que divide Goiânia de Aparecida. É conversa de lá, conversa de aqui, e os problemas de ambos são comuns. E as prefeituras se entendendo, pode-se realizar um trabalho mais profundo e abrangente, a favor da sociedade, convênios entre os dois municípios nas áreas da saúde, da educação. Portanto, recebi com muito carinho, a visita, a reivindicação, mas não quis dar qualquer resposta porque estou em fase de não estar pronto para tomar uma decisão de me candidatar ou não. Eu não pensava que, neste momento, grande parte da população desejasse a minha volta como prefeito. Eu não pensava nisso. Agora, andando nas ruas, parando nos sinaleiros, as pessoas se manifestam, em visitas às casas de amigos, os vizinhos se reúnem e se manifestam a favor. Tenho pedido muito a Deus me iluminar neste momento. Não sei se está me faltando entusiasmo para este projeto, por qualquer razão. Quem vai definir esse projeto, estou certo, é a iluminação divina e o coração do povo, naturalmente.
As lideranças do PMDB dão como certa a sua candidatura à prefeitura de Goiânia. Não sendo candidato, essas lideranças poderão ficar sem opção….
– Não, não é isso. O PMDB é um partido já tradicional em Goiás e em Goiânia. Quando se fundou o MDB, já na primeira semana, aqui em Goiânia, fundamos o partido. Depois, com a redemocratização, mudou o nome para PMDB. É um partido, portanto, que nasceu no Brasil, em Goiás e em Goiânia não para atender o interesse de a ou de b, assim como muitos partidos neste país. Partidos foram criados por um interesse político momentâneo ou em função de um grande líder, como foi o caso do PDT, quando Leonel Brizola se desentendeu com Ivete Vargas, que era presidente do PTB, criou o PDT. Veio o PP, partido de Paulo Maluf. O PMDB surgiu lá no fundo da alma do povo brasileiro, que buscava uma ferramenta, através da qual, pudesse lutar pela redemocratização do país. Então, se porventura eu não for candidato, o PMDB tem dezenas de candidatos se dispõem e eu estou certo terão bom desempenho. E se eu não existisse mais? O partido teria que arrumar alguém. Eu dediquei a minha vida à política, consequentemente ao meu povo, à minha cidade. Goiânia é o meu berço político. Aqui em cheguei em 1949, ainda com 15 para 16 anos de idade. Para falar a verdade, chego em 48 e em 58 eu era o vereador mais votado de história de Goiânia até aquela data. Posteriormente, deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa. Antes de concluir o mandato de deputado, fui eleito prefeito de Goiânia. No final da minha gestão, houve a cassação do mandato. Tive a suspensão dos meus direitos políticos pela ditadura, época que fui advogar. Alcancei o sucesso muito grande na advocacia. Nessa época, estruturei a minha vida patrimonial. Comprei dois lotes aqui no Marista, na frente, onde construí a minha casa e dois lotes no fundo, isso em 1971, advogando. Voltei à política em 1982, como candidato a governador e não voltei mais. O que eu nunca esperava na vida aconteceu em 2004, eu voltando a ser candidato a prefeito de Goiânia… O PMDB, naquela época, não tinha…Já existiam sete candidatos registrados e eu, como presidente do PMDB, ouvia a cobrança dos companheiros: “Mas você obrigou todos os diretórios municipais a lançar candidatos a prefeito e Goiânia não tem”. Nós não tínhamos candidatos, porque os nossos líderes, naquela época, aderiram ao governo estadual. Aí eu deixei a presidência do diretório estadual e me candidatei a prefeito de Goiânia. Nem chapa de vereadores praticamente não tínhamos. Aí pela um ali, outro aqui e, na última hora, sete candidatos a vereador… E realizei um grande sonho na prefeitura neste último e parte do penúltimo mandato.
Por que o senhor diz que falta entusiasmo para ser candidato mais uma vez a prefeito de Goiânia?
– Esse projeto específico… Vou morrer pensando e curtindo política. Não tenha dúvida. Não participo de política por qualquer conveniência pessoal. Me tornei político porque Deus me deu esse dom. Não tem outra explicação. Meu era, primeiro, proprietário rural. Veio para Goiânia foi mexer com indústria de laticínios, depois frigorífico. Ele nunca se entusiasmou com a minha presença na política (riso). É um dom que Deus dá às pessoas. Cada pessoa recebe de Deus um dom, uns para plantar, outros para curar, outros para ensinar, outros para comunicar, outros para pensar no futuro da criatura humana. Deus me deu esse dom. Tenho a convicção de que cumpri, nesses 56 anos de prática política, cassado ou não, com fidelidade, diante de Deus e do povo, todo o poder que me foi colocado nas mãos.
Por que o senhor recusou o convite dos companheiros para assumir a presidência do PMDB goiano e o que espera da nova direção, já pensando na sucessão de 2018?
– Eu agradeci a todos eles, deputados federais e estaduais e líderes políticos. Realmente os pré-candidatos a presidente se reuniram e decidiram desistir, desde que eu fosse o presidente. Eu fiquei, na hora, até um tanto assustado com o gesto. Me deram um prazo. Voltaram e eu disse: Olha, estive pensando: vocês têm que aprender a tomar decisões políticas, têm que se dispor a candidatar em eleições sem dividir o partido. Isso é salutar, é democrático. Que lancem duas, três, quatro chapas e, ao final, todos estarão representados no partido, principalmente aqueles que alcançarem mais de vinte por cento dos votos em sua chapa. Isso é que é importante para o partido. Agradeço, recebo como uma homenagem do partido, mas vocês terão que começar a tomar decisões definitivas”.
O PMDB tem perdido as eleições estaduais deste 1998. O que precisa mudar para o partido voltar a ter chances em 2018?
– Não é isso. A prática política mudou muito. Eu quero falar sobre isso em um momento muito especial. Por que o PMDB tem perdido eleições aqui? Vou deixar para outra oportunidade e fazendo uma pergunta: A prática de hoje é a prática política de trinta, vinte, quinze anos atrás? Não é. O que o cidadão sente hoje no fundo da alma como brasileiro, como goiano? É só espanto. Passaram a abusar do poder, em todo o sentido. Lamentavelmente, está o Brasil hoje assustado. De ponta a ponta. Lá do governo federal até a última das prefeituras, lá das câmaras municipais ao Congresso Nacional. O povo brasileiro está assustado com tanto escândalo. É o mundo político, em sua grande parte, não digo todos, utilizando o poder muitas vezes em benefício próprio ou de grupos e o povo ficando esquecido. Quem imaginava que um dia estivessem roubando bilhões nessas empresas e órgãos públicos? Quem imaginava que um dia lideranças nacionais, as mais importantes, envolvidas em processos de corrupção inimagináveis? A cultura política mudou assustadoramente nos últimos anos. E um dia eu vou responder essa pergunta: por que o PMDB tem perdido tantas eleições em Goiás?
Como o senhor acompanha o processo de federação inicialmente e privatização agora da Celg?
– Estou acompanhando esse processo com tristeza. A venda, terceirização, seja a denominação que queiram dar à Celg, foi o maior golpe que o estado poderia receber. A companhia sempre foi um instrumento forte para o desenvolvimento sócio-econômico de Goiás. Uma região distante não experimentava o desenvolvimento porque não tinha energia. A Celg, como empresa pública que não visa exclusivamente o lucro, mas sobretudo o social, construía uma rede de energia e, de repente, brotava projetos de irrigação e tantos outros. A empresa particular só investe em um projeto de extensão de rede ou construção de uma hidrelétrica se houver retorno financeiro em prazo curto. Não tiver esse retorno, não há investimento da empresa privada. A Celg não foi cedida ainda integralmente, mas já se vê que a companhia acabou. Já se viu o que virou, o que o povo goiano está sofrendo hoje. Eu sabia que o dia em que o governo de Goiás perdesse a Celg, os goianos iriam viver uma situação dramática em relação à energia elétrica. Eu não sei o que ainda vamos viver, pela frente, em relação ao fornecimento de energia elétrica aos goianos.
Qual sua opinião sobre a prorrogação por mais 30 anos, por parte da prefeitura, da concessão à Saneago dos serviços de água e esgoto na Capital?
– Rapidamente, eu expus o meu ponto de vista: no momento em que está prestes a transferir ao município de Goiânia todo esse patrimônio…Quando a prefeitura de Goiânia deu a concessão ao Estado estabeleceu que, em tantos anos, esse patrimônio todo, em indenização, retornaria ao município. Eu pergunto: Por que prorrogar essa concessão ao Estado se o governo está privatizando direção de hospital e escola? É para privatizar também os serviços de água e esgoto, não se entende outra coisa. E por que a cidade de Goiânia abrir mão de um serviço que poderá dar a essa cidade tranquilidade para séculos à frente nessa área de água e esgoto? No meu primeiro governo, apenas quarenta por cento da cidade de Goiânia contava com água tratada e aí partimos para a construção da captação do rio Meia Ponte, construímos a usina de captação e tratamento. Há quase 30 anos este projeto do Meia Ponte está abastecendo Goiânia, parte de Trindade e parte de Aparecida de Goiânia. Vamos entregar isso? Iniciamos também a construção da estação lá do Goiânia 2. A cidade tem hoje uma estrutura quase completa nesta área. A prefeitura tem que pensar em assumir esse serviço de água e esgoto. Vamos abrir mão disso por que e para que? Abrir mão para que amanhã esse serviço esteja nas mãos de empresa particular? Não. Retornando para a prefeitura, a administração terá que ter projetos ousados nesta área, porque a cidade não para de crescer, em articulação com Trindade, Aparecida e outras cidades vizinhas. A empresa particular vai se preocupar com o futuro da população de Goiânia e da Grande Goiânia? Não vai nada. Que façam o que fiz um dia lá em 1986, quando eu inaugurava um projeto que ninguém pensava nele e realizei. E por que não pensam no futuro da cidade? Em princípio, sou contra a terceirização, principalmente nas áreas essenciais de um povo, como saúde, educação, água e esgoto. Não sei se estou errado, mas o tempo dirá.
Como está a relação do senhor com o prefeito Paulo Garcia?
– Ele está lá, eu estou aqui. Ele tomou o rumo dele lá, se uniu ao governo de Goiás. O prefeito não me deu explicação, eu nunca pedi. Ele é o prefeito. Eu tenho que enfiar a viola no saco. Já fui prefeito, não sou mais.
FRASES
“Ele (Paulo Garcia) está lá, eu estou aqui. O prefeito tomou o rumo dele lá, se uniu ao governo de Goiás”
“Eu não pensava que, neste momento, grande parte da população desejasse a minha volta como prefeito. Eu não pensava nisso. Mas, andando pelas ruas, vejo a manifestação das pessoas favoravelmente”
“Em princípio, sou contra a terceirização, principalmente nas áreas essenciais de um povo, como saúde, educação e água e esgoto. Não sei se estou errado, mas o tempo dirá.”
“O que o cidadão sente hoje no fundo da alma como brasileiro, como goiano? É só espanto. Passaram a abusar do poder, em todo o sentido.”