Cotidiano

Perigos do Verão

Redação DM

Publicado em 24 de janeiro de 2016 às 20:31 | Atualizado há 1 ano

Verão nem sempre é sinônimo de sombra e água fresca, já que muitas doenças ocorrem com maior frequência nessa época do ano e atacam os mais desavisados. As doenças mais comuns dos meses mais quentes, segundo a infectologista  Dominique Thielmann, são Hepatite A, dengue, leptospirose, infecções gastrointestinais, micoses e conjuntivite.

“Na nova situação epidemiológica do país, não podemos deixar de citar Zika e Chikungunya, ambas também transmitidas pelo mosquito Aedes Aegypti que é o mesmo vetor da Dengue e que já estão presentes em muitos estados brasileiros”, explica Dominique.

Ela afirma que a ingestão de água clorada e fervida, o consumo de alimentos frescos e higienizados, além de “reforçar a higienização das mãos e manter as vacinas em dia são uma ótima forma de se manter saudável e preparado para enfrentar o verão. Não podemos deixar de lembrar da importância do uso regular do filtro solar”.

A infectologista esclarece que nessa época do ano, “o calor e a umidade favorecem a circulação de determinados vírus e vetores, caracterizando a sazonalidade dessas doenças”. Daí a importância do cuidado com a higiene pessoal e com os alimentos.

Alimentos

Segundo o Ministério da Saúde, 45% dos casos envolvendo alimentos contaminados ocorrem nas residências. Por isso, é preciso cuidar dos alimentos em casa e não deixar nada fora da geladeira, além de ficar de olho na data de validade.

“As temperaturas elevadas, o armazenamento inadequado e própria manipulação sem a higiene adequada aumentam as chances de proliferação de microorganismos, bactérias ou vírus nos alimentos, multiplicando assim os casos de intoxicação alimentar”, informa a médica Talita Poli Biason.

Quando a contaminação acontece, é comum a pessoa apresentar náusea, vômito, diarreia, febre e desidratação. Isso porque no momento em que as toxinas são liberadas, ocorrem lesões na mucosa intestinal e alteração no funcionamento das células do intestino, colaborando para a perda de água e eletrólitos.

O quadro de diarreia pode durar de três a 14 dias, levando à desidratação. Além de aumentar a ingestão de líquidos, um dos tratamentos indicados para esse tipo de caso é a suplementação à base de zinco. Segundo Talita, o zinco não só bloqueia a entrada de microrganismos como favorece a multiplicação e a diferenciação das células intestinais, o que é fundamental para a regeneração da mucosa do órgão.

“A suplementação com zinco tem sido utilizada por trazer bons resultados. Estudos mostram que quando o mineral é usado por 10 a 14 dias após o início do episódio, é capaz de reduzir a duração da diarreia aguda em 25% e diminuir a incidência de novos episódios da doença por até três meses”, explica Talita.

Desidratação

No verão, as pessoas costumam intensificar a prática de exercícios, atividades esportivas recreativas, além da exposição ao sol. Para não correr riscos para a saúde é preciso hidratar-se bebendo muita água, adverte Cibele Gonsalves, nutricionista e diretora científica do Departamento de Nutrição da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (SOCESP). “A água desempenha uma função de regular a temperatura corporal e durante a prática da atividade física, suamos muito e com o suor, além da água, ocorrem perdas significativas de minerais (sódio, potássio) que são fundamentais para a regulação das funções orgânicas do corpo. Por este motivo, uma hidratação adequada é importante para que a atividade física seja sinônimo de saúde e não de doença”, explica.

Segundo a nutricionista, as consequências da desidratação podem ser muito graves, trazendo prejuízos até mesmo para o sistema cardiovascular.

A nutricionista afirma que “a desidratação promove o aumento do ritmo cardíaco devido a diminuição do volume sanguíneo e se a desidratação for de 10%, a pessoa pode ter tonturas, dificuldades de concentração e espasmos musculares”.

Para evitar a desidratação, é fundamental consumir 500ml de água, 2h antes de praticar exercícios, orienta a especialista. “Para os exercícios com duração de 1h é importante que durante a prática (se possível a cada 20 minutos), a pessoa tome um copo de água (cerca de 150ml a 350ml) e após o exercício realize uma refeição rica em carboidrato para repor o glicogênio que foi gasto durante o exercício além de se hidratar”. (Com informações da assessoria)

Cuidado com os olhos

Terçol e conjuntivite são doenças perigosas no verão. Além disso, a exposição prolongada ao sol pode causar catarata, a longo prazo

Uma parte do corpo que requer atenção e cuidados especiais na época mais quente do ano são os olhos. No verão, doenças como conjuntivite e terçol se manifestam com mais intensidade.

O aumento das doenças oftalmológicas associadas ao calor, praia, piscinas e grandes aglomerações é percebido nos consultórios e unidades de emergência.  Alguns dos principais serviços em oftalmologia do Estado chegam a registrar durante o verão aumento de 40% no número de atendimentos relacionados a doenças como conjuntivite.

Segundo informações da Cooperativa Estadual de Serviços em Oftalmologia de Goiás (Cooeso-GO) o aparecimento de doenças nesse período pode ser ainda maior por conta da  automedicação, que faz com que as pessoas não procurem atendimento apropriado.

Conjuntivite e terçol estão entre as doenças mais comuns dessa época do ano, sendo apenas a primeira contagiosa. Além disso, a exposição excessiva ao sol pode causar problemas graves a longo prazo, como a catarata, que é uma doença que afeta a capacidade do cristalino, provocando visão embaçada e prejudicando tarefas simples como ler e dirigir.

Para se proteger contra os raios ultravioleta é fundamental o uso de óculos escuros adequados. Óculos de camelôs não são indicados pelos profissionais porque o material contido na estrutura das lentes é plástico e a proteção contra os raios nocivos à saúde ocular ficará comprometida. “É extremamente perigoso usar lentes sem proteção anti UV. A explicação é simples. Quando se coloca óculos os olhos entendem que é necessário dilatar mais a pupila por conta da baixa claridade proporcionada. O problema é que se os óculos não têm a devida proteção a incidência de raios UV será pior do que se a pessoa estivesse sem nada”, revela o oftalmologista Leonardo Mariano Reis – Presidente da Cooeso-GO. (Com informações da assessoria)

Sobre as doenças do verão:

A infectologista Dominique Thielmann explica à reportagem do Diário da Manhã  sobre as principais doenças do verão.

Hepatite A: “É uma doença que ataca o fígado e decorre da ingestão de água ou alimentos contaminados pelo vírus da hepatite A e a doença se manifesta por febre, náusea, vômitos, dor abdominal, mal estar e icterícia (olhos amarelados). A prevenção é feita por uma vacina que faz parte do calendário nacional de imunizações”.

Dengue: “Doença viral aguda, transmitida pela picada do mosquito Aedes aegypti e manifesta-se por febre alta, dor nas articulações e nos músculos, dor de cabeça, dor retrorbitária e mal estar, pode cursar também com manchas avermelhadas no corpo e com formas graves com sangramentos. A prevenção da dengue é o controle do mosquito Aedes e de sua picada, através da eliminação de focos de proliferação do mosquito e do uso de repelentes”.

Leptospirose: “Transmitida por contato com água contaminada por urina de rato, é uma doença aguda e potencialmente grave, cursa com febre alta, dor de cabeça, mal estar, dor muscular intensa e calafrios”.

Micose: “A proliferação dos fungos que causam as micoses superficiais de pele, unhas e cabelos é facilitada pela umidade e calor nesta época do ano, podem ter diversas manifestações como manchas no corpo e descamação e coceira nas plantas dos pés”.

Conjuntivite: “Sua forma viral e se manifesta por vermelhidão no olho acompanhada de secreção e coceira, pode acometer um ou ambos os olhos, é transmitida de uma pessoa infectada para outra”.

Infecções gastrointestinais: “São bastante comuns e geralmente decorrem de infecção viral ou intoxicação alimentar”.

Prevenção e tratamento:

A infectologista afirma que o tratamento de cada uma dessas patologias é específico e necessita de avaliação médica, sendo que em alguns casos podem cursar gravidade, como a leptospirose, que pode resultar em internação.

“Em geral, o consumo de água clorada ou fervida; o consumo de alimentos frescos e devidamente higienizados; a higienização das mãos frequente, principalmente antes das refeições; evitar contato com águas contaminadas, como inundações; usar roupas frescas; evitar contato com pessoas doentes com conjuntivite ou diarreia e reforçar as medidas de higiene corporal individual são suficientes para prevenir a maior parte destas doenças”, explica Dominique. (Com informações da assessoria)

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