Kerry diz que sanções à Rússia podem ser retiradas nos próximos meses
Redação DM
Publicado em 22 de janeiro de 2016 às 05:25 | Atualizado há 10 anosDAVOS – Os Estados Unidos podem considerar ainda este ano a suspensão das sanções econômicas impostas à Rússia devido ao envolvimento do país na crise na Ucrânia se o governo de Moscou cooperar com a implementação do acordo de paz de Minsk, afirmou John Kerry, secretário de Estado dos EUA, nesta sexta-feira em discurso no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça.
— Acredito que, com esforço, boa fé e tentativa legítima de solucionar o problema de ambos os lados, é possível nos próximos meses ver os acordo de Minsk implementado e chegar a um lugar onde as sanções possam ser adequadamente, por causa da implementação total, removidas — declarou Kerry.
Os comentários do secretário são ainda mais otimistas já que, no mês passado, o Departamento de Tesouro dos Estados Unidos ampliou as restrições ligadas ao papel da Rússia na Ucrânia.
As sanções contra os setores bancário, de defesa e energia da Rússia são parte do esforço do Ocidente em pressionar o país a solucionar a crise no leste da Ucrânia. O conflito já matou mais de 9 mil pessoas desde abril de 2014 e continua a afetar a região.
Esta semana, o presidente ucraniano, Petro Poroshenko, culpou a Rússia pelos atrasos no cumprimento do acordo de Minsk e disse que as sanções impostas pelos EUA e pela Europa estão funcionando. O acordo de paz original, assinado em fevereiro do ano passado, deveria ter sido implementado em 2015. Um novo prazo não foi definido ainda. A Rússia, por sua vez, culpa a Ucrânia pelo atraso.
Os termos do acordo exigem um cessar-fogo entre separatistas russos e ucranianos, retirada de armamento pesado, intercâmbio de prisioneiros, eleições locais em zonas controladas por rebeldes e maior autonomia para tais áreas.
Uma autoridade do Departamento de Estado dos EUA, com base em dados do Fundo Monetário Internacional, afirmou este mês que as sanções reduziram cerca de 1,5% da produção econômica da Rússia em 2015. Vladimir Putin, presidente russo, afirmou ao jornal alemão “Bild” este mês que as restrições estavam “prejudicando severamente” o país junto ao grande impacto da queda nos preços do petróleo.