Após atingir recorde, dólar comercial cai mais de 1%, a R$ 4,114
Redação DM
Publicado em 22 de janeiro de 2016 às 02:21 | Atualizado há 10 anosSÃO PAULO – O dólar comercial é negociado em queda, após atingir cotação recorde na quinta-feira. Às 16h11, a moeda americana era cotada a R$ 4,112 na compra e a R$ 4,114 na venda, um recuo de 1,24% ante o real – na mínima a divisa chegou a R$ 4,103. Já a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) segue o movimento externo e opera em alta. O Ibovespa registra ganhos de 0,93%, aos 38.068 pontos, após subir quase 2% no período da manhã.
Segundo analistas, a desvalorização do dólar está atrelada ao ambiente externo, com os investidores esperando um novo alívio monetário pelo Banco Central Europeu (BCE) e com a recuperação dos preços do petróleo, que tende a beneficiar a moeda dos países produtores do óleo. O barril do tipo Brent registra alta de 8,03%, a US$ 31,60 o barril.
— O cenário externo está beneficiando o real e não temos nada de relevante do ponto de vista interno. A expectativa de incentivos na Europa e na China fazem com que os investidores tomem mais risco — afirmou Bernard Gonin, analista macro da Rio Gestão de Investimentos.
No exterior, o dólar ganha em relação a maior parte das moedas. O “dollar index”, calculado pela Bloomberg e que mede o comportamento da divisa frente a uma cesta de dez moedas, sobe 0,36%. “Em movimento de correção técnica, após o exagero de ontem, o dólar comercial opera em queda ante o real. O cenário de menor aversão ao risco faz com que os agentes desmontem parte das posições defensivas assumidas nos últimos dias”, afirmou Ricardo Gomes da Silva, superintendente da Correparti Corretora de Câmbio, em relatório a clientes.
Na quinta-feira, dia seguinte à decisão do Banco Central (BC) de manter a taxa básica de juros inalterada em 14,25% ao ano, o dólar comercial fechou na maior cotação nominal registrada desde a criação do Plano Real, em 1994. A moeda americana avançou 1,51% contra o real, a R$ 4,166 para venda, um recorde parta valores de fechamento. O recorde anterior era dos R$ 4,145 registrados em 23 de setembro.
PETROBRAS SOBE COM PETRÓLEO
A alta da Bolsa é encarada mais como um movimento de correção e não como uma reversão de tendência. No entanto, o Ibovespa acentuou os ganhos após a abertura dos negócios nos Estados Unidos. Segundo analistas, os investidores estão aproveitando a melhora do humor no exterior para fazer esse ajuste. A indicação do presidente do BCE, Mario Draghi, de que a Europa pode receber novos estímulos monetários faz com que as Bolsas no continente operem em forte alta.
— O Draghi animou o mercado com a indicação de novos incentivos, o que faz as Bolsas europeias subirem. Mas por aqui, no entanto, é um movimento de ajuste e não uma reversão de tendência. A expectativa de de resultados mais fracos para as empresas brasileiras na temporada de balanços do quarto trimestre e projeções de uma recessão em torno de 3% em 2016 — avaliou Ari Santos, gerente de renda variável da corretora H.Commcor.
Mas é nesse clima de ajuste que as ações da Petrobras operam em terreno positivo. Os papéís preferenciais (PNs, sem direito a voto) registram alta de 0,66%, cotados a R$ 4,53, e os ordinários (ONs, com direito a voto) sobem 3,17%, a R$ 6,49.
Já as ações da Vale diminuem os ganhos. As preferenciais passaram a cair 1,45% e as ordinárias têm leve recuo de 0,21%. O setor bancário, o que tem o maior peso na composição do Ibovespa, o pera com ganhos. As altas das preferenciais do Itaú Unibanco e do Bradesco são de, respectivamente, 1,12% e 1,11%.
As Bolsas americanas também operam em forte alta, consolidando o pregão de recuperação. O Dow Jones sobe 0,97% e o S&P 500 registra valorização de 1,58%. Na Europa, os principais indicadores registraram altas significativas. O DAX, de Frankfurt, registrou valorização de 1,99%, e o CAC 40, da Bolsa de Paris, avançou 3,10%. No caso do FTSE 100, de Londres, a variação foi de 2,19%.