Economia

Reajustes salariais ficaram 1 ponto percentual abaixo da inflação em 2015

Redação DM

Publicado em 21 de janeiro de 2016 às 03:25 | Atualizado há 10 anos

RIO – A disparada dos preços fez com que os reajustes salariais no ano passado ficassem, em média, 1 ponto percentual abaixo da inflação em 2015. De acordo com o estudo Salariômetro, elaborado pela fundação Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), os aumentos nominais foram, em média, de 10%, enquanto o Índica Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), usado para a correção dos salários, fechou o ano em 11,28%. Os dados são compilados a partir da base de dados de acordos e convenções do Ministério do Trabalho.

Segundo Hélio Zylberstajn, professor da Universidade de São Paulo (USP) e coordenador do Salariômetro, as perdas sentidas pelos trabalhadores estão relacionadas à piora da recessão no país e à inflação. Em janeiro passado, quando as expectativas para a economia eram menos pessimistas e o INPC ainda estava em 6,2%, as categorias ainda conseguiram, em média, reajuste real de 1,3%. Ou seja, conseguiram compensar a inflação do período e ainda ter ganhos.

Mas a situação foi se deteriorando ao longo do ano e, no segundo semestre, quando o índice de preços começou a se aproximar de dois dígitos, as negociações ficaram mais apertadas. O último mês em que houve registro de reajuste real foi junho, quando a média dos aumentos nominais ficou em 9,3% e o INPC estava na casa dos 8,8%.

— A recessão força as empresas a controlar seus custos. Elas vão para a mesa de negociação com uma posição muito menos generosa. Elas sabem que não vão conseguir repassar para o preço o aumento de salário que elas concordarem em dar para os trabalhadores. A recessão tira também o poder de barganha dos trabalhadores, porque o desemprego cresce e não dá para forçar o aumento de salários. E quando você tem 10%, 11% de inflação, fica ainda mias difícil ter aumento real — avalia Zylberstajn.

Não foi só a inflação que correu o poder de compra do trabalhador. Em 2015, 244 acordos estabeleceram redução nominal de salários. O número é pequeno diante das cerca de 24 mil negociações salariais realizadas no ano passado, mas representa um salto diante do registrado em 2014, quando só quatro empresas combinaram corte de salários com sindicatos.

Uma pequena parte desse aumento de acordos desse tipo é referente ao Programa de Proteção ao Emprego (PPE), que permite a redução de até 30% da carga horária e dos salários. O programa subsidiado pelo governo atraiu apenas 48 categorias, segundo o estudo da Fipe. Os outros 196 foram celebrados fora do âmbito do PPE.

Para este ano, a expectativa é de que a inflação seja alta, porém mais branda. No entanto, o agravamento da recessão preocupa, afirma o coordenador do estudo.

— Se a inflação cair, como tudo faz crer que vai, esse lado da questão fica aliviado. É diferente ir para uma mesa de 7% comparado com uma inflação de 11%. Mas a recessão vai continuar. Da mesma forma, as empresas não vão ter condições de pagar aumentos reais. Minha percepção é que os aumentos reais vão continuar raros — analisa o professor.

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