Cotidiano

Tripulação expulsa grupo de voo no Canadá por ‘aparência muçulmana’

Redação DM

Publicado em 19 de janeiro de 2016 às 04:15 | Atualizado há 11 anos

NOVA YORK – Quatro homens alegam que foram expulsos de um voo no Canadá porque a “aparência muçulmana” deles inquietou a tripulação. Eles viajavam com outros dois amigos de Toronto para Nova York quando foram intimados a deixar o avião da Republic Airways, uma parceira regional da American Airlines. Os homens entraram com uma ação na Justiça, dizendo que a companhia aérea agiu por discriminação e que eles foram retirados do voo com base em sua etnia.

Dois deles, identificados apenas pelas iniciais WH e MK, pagaram US$ 70 para fazer o da passagem para a primeira classe, enquanto os amigos, Shan Anand e Faimul Alam, gastaram US$ 75 para trocar de voo e seguir com o grupo. A bordo, Anand e Alam trocaram de assento para ficarem juntos. Alam é um muçulmano de Bangladesh; Anand, um indiano sikh, religião monoteísta que une elementos do islamismo e do hinduísmo e que prega o uso do turbante e da barba.

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Passageiros que sentavam perto de Alam e Anand faziam comentários racistas e seguravam suas crianças, segundo a dupla. Segundo WH, uma funcionária abordou os quatro depois de serem expulsos do voo e explicou que a aeromoça e o capitão estavam preocupados com a presença deles no voo.

Os quatro decidiram processar a companhia aérea. Eles reivindicam US$ 1 milhão (R$ 4 milhões) em compensação e mais US$ 5 milhões (R$ 20 milhões) de indenização. Segundo a ação judicial, apresentada na corte de Nova York na segunda-feira, MK perguntou à funcionária do portão de embarque se eles foram expulsos do avião por causa da aparência e ela respondeu que “isso não ajudou”.

— A comissária de bordo me pediu para sair. Eu pensei que estavam esvaziando o avião ou algo do tipo, então isso nem passou pela minha cabeça. Mas depois ela me disse para pegar minha bagagem e, quando voltei a entrar na cabine, vi que eu era o único de pé ali. — disse ao “The New York Daily News” WH, que é designer de moda no bairro do Brooklyn.

Ele disse ainda que a agente do portão de embarque explicou a eles que havia “inconsistências” no comportamento do grupo, porque dois haviam feito da passagem e dois, não. O advogado Tahanie Aboushi, que representa os quatro amigos, disse ao “New York Daily News” que a companhia não tinha qualquer base para alegar comportamento inapropriado ou violento.

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— A situação deles não era uma ameaça nem um risco à segurança. A nossa posição é que eles foram retirados do voo em um caso de flagrante discriminação — firmou Aboushi.

Segundo a “Aviation Gazette”, um porta-voz da Republic Airways recusou comentar. A American Airlines está analisando o processo.

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