Economia

Campo de petróleo norueguês se beneficia dos preços baixos do barril

Redação DM

Publicado em 18 de janeiro de 2016 às 03:20 | Atualizado há 10 anos

OSLO – Se pudessem escolher, a Statoil ASA e outros donos do Johan Sverdrup, um campo de petróleo gigante na Noruega, gostariam de evitar o colapso nos preços do petróleo que assolam a indústria. Mas há um lado bom diante da situação adversa: para não perder oportunidades, empresas que prestam serviços ao setor estão reduzindo o valor cobrado nos projetos que ainda estão sendo tocados, já que a já chegou abaixo dos US$ 30.

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Com isso, o Sverdrup, que pode ter 3 bilhões de barris, pode ser um dos projetos mais lucrativos já feitos. Mas, para isso, ele precisa que os preços do barril se recuperem até 2019, quando a produção no campo deve começar.

— O projeto Johan Sverdrup será um projeto rentável porque está sendo desenvolvido com custos de produção muito baixos — afirmou Jarand Rystas, sócio-gerente da consultoria norueguesa Rystad Energy AS. — O preço do petróleo vai subir, então será um campo extremamente lucrativo.

A Statoil, operadora do campo, cortou a estimativa despesa de capital no Sverdrup de 170 bilhões-220 bilhões de coroas norueguesas (US$ 19,09 bilhões-US$ 24,7 bilhões) para 160 bilhões-190 bilhões de coroas norueguesas (US$ 17,9 bilhões-US$ 21,3 bilhões), informou nesta segunda-feira a Det Norske Oljeselskap, outra interessada no campo.

Com 60% dos investimentos em coroa norueguesa, o projeto também está lucrando a partir da queda da divisa frente ao dólar. A Det Norske espera que os investimentos entrem no valor inferior da variação, e talvez até menor, afirmou o CEO Karl Johnny Hersvik.

— Você acerta um mercado em declínio, e há uma boa capacidade para implementar este tipo de projeto na indústria fornecedora norueguesa a preços muito vantajosos — sustenta Hersvik. — Então pelo menos a primeira parte da equação é atendida.

A Statoil concorda que o momento é bom para custos dos projetos em geral caindo cerca de 30% a 40%, segundo Ola Ander Skauby, representante da empresa para Tecnologia, Projetos e Perfuração.

— Os fornecedores noruegueses se mostraram muito competitivos — afirmou o especialista à Bloomberg. — Isso nos levou a enxergar um desenvolvimento positivo para o Sverdrup. Precisamos retornar a possíveis atualizações de dados.

A Statoil e a Det Norske esperam que a segunda parte da equação melhore também, com preços do petróleo aumentando no longo prazo. O barril do tipo Brent, referência internacional, deve chegar à média de US$ 63,5 por barril em 2019, segundo estimativada de oito analistas consultados pela Bloomberg nos últimos dois meses.

— O Sverdrup está perfeitamente cronometrado com a queda do preço do petróleo — afirma Teodor Sveen Nilsen, analista do Swedbank AB.

O campo alcançará a lista dos cinco projetos de petróleo mais lucrativos da Noruega, junto ao Statfjord, Oseberg, Ekofisk e o Gullfaks, afirmou Nilsen.

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A Statoil começou a conceder contratos a fornecedores, de firmas de engenharia a construturas de plataformas e oleodutos, após apresentar plano de desenvolvimento ao governo em fevereiro do ano passado. Alguns exemplos indicam como os preços caíram. A proprietária de equipamentos Odfjell Drilling concordou em realizar perfurações este ano por metade do preço cobrado anteriormente; a Kvaerner, que vai entregar uma plataforma e três subestruturas, assinaram contratos que definem o mesmo preço nominal cobrado em 2005.

O projeto agora tem o preço igualado de US$ 25 por barril, de acordo com o Swedbank. Analistas do Carnegia Investment Bank AB veem o valor ainda mais baixo, na faixa dos US$ 20.

— Indiretamente, preços mais baixos têm um efeito positivo no projeto Johan Sverdrup visto que contribui a despesas de capital mais baixas — aponta Kjetil Bakken, analista da entidade.

Sverdrup, que deve produzir por 50 anos, foi descoberto em duas partes pela Lundin Petroleum AB e pela Statoil em 2010 e 2011. O projeto representa uma corda de salvamento para a indústria visto que os investimentos do setor na Noruega devem cair pelo terceiro ano consecutivo e não devem crescer até 2019, segundo o Diretório de Petróleo da Noruega. O país é o maior produtor de petróleo da Europa ocidental e a indústria responde por cerca de um quinto da produção econômica.

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