Esportes

Maracanã S.A. fica apenas com dez funcionários, após demitir 75% do seu quadro

Redação DM

Publicado em 4 de janeiro de 2016 às 08:10 | Atualizado há 10 anos

A Concessionária Maracanã S.A. está, literalmente, tirando seu time de campo da gestão do estádio. Nesta segunda-feira, a empresa criada para administrar o estádio demitiu 75% de seus funcionários fixos. Em outubro, 40% já tinham sido cortados. Agora, dos 80 funcionários iniciais, restam dez pessoas cuidando da gestão. E os que sobraram seguem de aviso prévio. O corte é o começo do processo de devolução do estádio para o governo estadual.

Oficialmente, a concessionaria, controlada por Odebrecht (95% ) e AEG, nega que esteja abrindo mão da administração do estádio, cuja concessão adquiriu em maio de 2013. Segundo nota divulgada pela Maracanã S.A., os cortes fazem parte “do planejamento para desmobilização gradativa do seu quadro, a fim de se adaptar ao período de uso exclusivo dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos, quando cederá suas instalações ao Comitê Rio 2016 por até nove meses.” O Maracanã receberá partidas de futebol e as cerimônias de abertura e encerramento.

Porém, a demissão gradual dos funcionários faz parte da estratégia da concessionária para pressionar o governo a aceitar os termos da readequação do contrato de concessão. Desde agosto de 2013 — quando o então governador Sérgio Cabral decidiu não demolir o Parque Aquático Júlio de Lamare, o estádio de atletismo Célio de Barros e a Escola Municipal Arthur Friedenreich —, a discussão sobre um novo modelo de gestão do estádio estava prevista para depois dos Jogos Paralímpicos, em setembro.

Pelo menos, esta era a vontade do governador Luiz Fernando Pezão, mas que não deve se concretizar. Pressionado, o governo terá de ceder ou ter de volta um estádio que custa R$ 33,2 milhões por ano.

O problema está exatamente na permanência dos estádios de atletismo e natação. O grupo que administra o Maracanã e o Maracanãzinho afirma que o modelo atual de gestão não se sustenta porque o estudo inicial, no qual a concessão foi baseada, previa receita extra de, pelo menos, R$ 19 milhões. Esse complemento viria de dois estacionamentos com lojas e restaurantes, que seriam construídos no lugar desses espaços.

Cortes no Valor das obras

O governo já aceitou reduzir o valor que deveria ser pago, em obras, pelo grupo — que seriam a contrapartida para a exploração por 33 anos do estádio. Licitado por R$ 594 milhões, o custo das obras foi reduzido para R$ 120 milhões. Agora, o problema está na cláusula de rediscussão de contrato, a cada três anos, que a Maracanã S.A. quer incluir no documento. Isso abriria uma brecha para que o concessionário pudesse devolver a concessão sem multas.

As demissões de ontem serviram para pressionar o governo e aumentaram os rumores de que a devolução está em marcha. Ter o Maracanã de volta será um grande problema para um governo que enfrenta grave crise financeira.

Em 65 anos de existência, o Maracanã nunca foi lucrativo. E o governo não sabe se conseguirá empresas interessadas ou capazes de gerir o estádio em uma nova licitação.

Por outro lado, ao aceitar todas as exigências do atual administrador, o governo teme estar apenas adiando o problema por mais três anos.

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