Estou indignado com esse mosquito
Redação DM
Publicado em 3 de janeiro de 2016 às 21:57 | Atualizado há 11 anosEu, como profissional de saúde, não posso ficar de braços cruzados vendo esse mosquito fazer o que bem entender. Primeiro foi a dengue, depois a chikungunya, e agora, a pior de todas, ao meu ver, a tal de zika. Parece que aceitamos tudo, como se nada fosse acontecer conosco. Não. Onde está esse mosquito? De onde vem? Para onde vai? Não, não posso ficar aqui a esperar.
Quero participar dessa luta. Quero, como um soldado, ser convocado para a guerra. Uma guerra contra algo que não tem nada a perder. Quero evitar que ele provoque mortes, sequelas, desestruturação. É a microcefalia chegando até bem perto de nós. É A Síndrome de Guillain-Barré nos rodeando.
Onde está a nossa iniciativa, onde está a nossa conscientização? Vamos esperar até quando? Antes que o pior chegue até nós, temos que tomar a iniciativa. Medidas apenas paliativas não resolvem. Estamos enganando o mosquito e a nós mesmos.
O que fazer? Não necessitamos de medidas mirabolantes. Necessitamos de medidas simples, mas concretas, entre elas:
– convocar imediatamente todos os profissionais de saúde (médicos, enfermeiros, auxiliares, dentistas e auxiliares, agentes de endemias, agentes comunitários de saúde, atendentes, recepcionistas, e outros) e conscientizá-los sobre a gravidade da questão nesse momento, e transformá-los em agentes multiplicadores de informações junto à população;
– promover reuniões em escolas, igrejas, comunidades em geral, a fim de sensibilizar e orientar todas as pessoas a respeito do assunto;
– investir em propaganda nos meios de comunicação, tentando convencer aquelas mulheres que desejam engravidar a adiar esse projeto por algum tempo;
– por fim, se não houver sucesso com todas essas ações acima, partir para o lado financeiro, ou seja, punir aquelas pessoas que insistirem em não cuidar bem de seus quintais, piscinas, construções, lixos e tudo mais, aplicando multas.
Entretanto, deve ficar bem claro que iniciativa deve ser dos governantes, através das secretarias municipais, estaduais e do próprio Ministério da Saúde.
Eu, de minha parte, estou à disposição para o que for necessário, afinal, sou funcionário público, sou remunerado (bem ou mal), apenas necessito de uma coordenação, de uma orientação, parta contribuir. O que não podemos é deixar esse mosquito (Aedes aegypti) tomar conta de nós e de nossos semelhantes.
(José Willian de Oliveira, médico do SUS – e-mail: [email protected])