Parcela de jovens entre trabalhadores domésticos cai pela metade
Redação DM
Publicado em 31 de dezembro de 2015 às 04:06 | Atualizado há 10 anosRIO – O aquecimento do mercado formal de trabalho e a implantação de políticas de universalização do ensino da última década fizeram cair pela metade a participação de jovens entre as empregadas domésticas. Em 2004, as trabalhadoras com idade entre 18 e 29 anos representavam 30% da categoria. Dez anos depois, este percentual é de 14%. Os dados integram uma série de análises feitas pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) com base nos dados da última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad/IBGE), divulgadas na quarta-feira. Para o técnico de Planejamento e Pesquisa do instituto, Leonardo Rangel, estes números mostram que houve um ganho de cidadania no período:
— O ofício, que essencialmente é informal, deixou de ser a primeira opção de entrada no mercado de trabalho para uma grande parte da população, composta por mulheres negras, pobres e de baixa escolaridade, que historicamente são maioria entre as domésticas. Isso reflete, principalmente, a estruturação do mercado de trabalho nesse período, que criou mais vagas formais, proporcionando a entrada no mercado de outras formas.
O acesso facilitado ao ensino, por meio de programas sociais como o Bolsa Família — que vincula o benefício à frequência escolar —, a criação de cotas sociais e para negros em universidades e a expansão do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), programa do Ministério da Educação que financia cursos superiores não gratuitos, também contribuíram para que menos jovens optassem pelo trabalho doméstico, aponta Rangel.
Para Mario Avelino, presidente do Doméstica Legal, que funciona como um departamento pessoal para mais de 15 mil empregadores em todo o país, a falta de perspectivas de crescimento nessa profissão também a torna menos atrativa:
— Há 15 anos toda filha de doméstica se tornava doméstica. Essa realidade mudou.
Para Avelino, a tendência é que a oferta de mão de obra diminua na próxima década a ponto de o país passar por um fenômeno que chama de americanização:
— Com menos mão de obra disponível os salários encarecerão a tal ponto que poucas famílias conseguirão manter uma doméstica. E estas vagas serão ocupadas por imigrantes sul-americanos, a exemplo dos EUA com os mexicanos.
A análise mostra que cresceu a proporção de diaristas de 21,4%, há dez anos, para 31,1% em 2014.
— É vantagem contratar uma diarista, que não tem vínculo empregatício. A doméstica tem direitos trabalhistas agora — ressalta Avelino.