Não foi só no Brasil
Redação DM
Publicado em 21 de dezembro de 2015 às 22:55 | Atualizado há 1 anoA taça Julis Rimet recebeu este nome em homenagem ao terceiro presidente da FIFA (1921-1954). Sob seu comando, o primeiro campeonato mundial de futebol foi realizado em 1930. O objetivo de Rimet era promover uma aproximação entre a nações através do desporto, durante a Primeira Guerra Mundial. Em 1946, a FIFA homenageou Rimet, batizando a taça com seu nome. Enquanto esteve frente à FIFA, Rimet supervisionou cinco campeonatos mundiais e fez visita ao Brasil em 1930 durante a inauguração da iluminação do estádio do Clube Atlético Mineiro.
Pesando cerca de 3,8 quilos e 30 centímetros de altura, a taça Julis Rimet confeccionada pelo artesão francês Abel Lafleur é uma alegoria de Nice, a deusa grega da vitória. A base, feita de mármore, portava pequenas placas com o nome dos quatro primeiros ganhadores. O Brasil a ganhou em definitivo em 1970, quando conquistou o tricampeonato do mundial de futebol.


Já no Brasil, em 19 de dezembro de 1983, a taça que era exposta sem muita segurança na sede da Confederação Brasileira de Futebol, foi roubada pela segunda vez, enquanto uma réplica era guardada no cofre da instituição. Desta vez o desfecho não foi assim tão feliz. A taça Julis Rimet nunca fora encontrada, mas os culpados foram identificados, julgados e condenados pela justiça brasileira. Em 1986 a FIFA ofereceu à CBF uma nova réplica da taça, que se encontra guardada junto a outros troféus da entidade.
Os acusados
Sérgio Pereira Ayres, o Sérgio Peralta como era conhecido, oriundo de família humilde do subúrbio carioca. Tinha 35 anos na época, morava numa pensão e era visto por amigos e conhecidos como uma pessoa amistosa, rotineira, se dava bem com crianças. Sérgio também era representante do Clube Atlético Mineiro na CBF deste 1974. Foi condenado a nove anos de prisão. Morreu em 2003 de infarto decorrente de uma doença coronariana grave.
Francisco José Rocha Rivera, o Chico Barbudo era detetive da polícia entre 1974 e 1978, foi afastado da corporação acusado do roubo de uma metralhadora, mas não foi expulso porque ficou constatado que Chico sofria de problemas psiquiátricos e passou por dois anos de acompanhamento psicológico. Desde então, vivia da compra e venda de jóias. Foi convidado por Peralta a participar do crime. Preso, foi condenado a a nove anos de prisão. Em 1989 foi assassinado com a tiros por cinco homens em um bar.
José Luis Vieira da Silva ou Luiz Bigode, era decorador de festas e casamentos, e segundo a polícia foi o encarregado para descontar o chefe de 12 milhões de cruzeiros que seria da venda da taça Julis Rimet. Em sua casa foram encontradas duas armas, dinheiro e o dito cheque, que desapareceu sem que a policia tivesse anotado os datos do mesmo. Luiz Bigode nunca confessou o crime, foi condenado a nove anos de prisão.
Juan Carlos Hernández, natural da Argentina, já tinha passagem na Polícia Federal por viver clandestinamente no Brasil. Após o roubo, abriu uma empresa nomeada Aurimet Comércio de Metais Preciosos Ltda., e mudou-se para uam cobertura em área nobre do Rio de Janeiro. A nova empresa chamou a atenção pelo nome e foi considerada deboche por fazer alusão a ouro (auri) e ao nome da taça roubada (Rimet). O argentino foi acusado de receptação da taça e de tê-la repartido, derretido e comercializado. Foi condenado a três anos de prisão.
