Juíza argentina afasta promotora que investigava morte do promotor Nisman
Redação DM
Publicado em 17 de dezembro de 2015 às 05:45 | Atualizado há 11 anosBUENOS AIRES – Após meses de uma intensa briga entre familiares do promotor Alberto Nisman — que apareceu morto em janeiro logo antes de apresentar uma denúncia no Congresso sobre um suposto encobrimento da ex-presidente Cristina Kirchner no caso Amia — e os representantes da investigação oficial sobre sua morte, a juíza do caso resolveu afastar a criticada responsável e assumir a perícia. Nisman foi encontrado com um tiro na cabeça enquanto investigava o atentado de 1994 à organização judaica por um grupo de iranianos.
Nesta quinta-feira, a juíza Fabiana Palmaghini decidiu afastar a promotora Viviana Fein, que era muito criticada pela família do promotor e por opositores da então presidente. Palmaghini teria considerado insuficiente o trabalho da promotora, que tinha pedidos de afastamento acumulados por parte da ex-mulher do promotor, a juíza Sandra Arroyo Salgado.
“Para dissipar os interrogantes que ainda existem na investigação e poderiam afetar sua resolução, corresponde reassumir o caso”, ela anunciou.
A família de Nisman comemorou a decisão, afirmando que a promotora só trabalhava com a hipótese de suicídio. Uma perícia pessoal e independente de Arroyo Salgado concluiu que ele teria sido assassinado, mas a investigação oficial não entrou neste mérito em qualquer momento. Cristina, à época da morte de Nisman, chegou a bradar que ele cometera suicídio, mas depois passou a dizer que o promotor fora morto por uma suposta conspiração da oposição para desestabilizar o governo.
Nomes-chave do processo, como o espião Jaime Stiuso (com quem Nisman se comunicava frequentemente sobre o caso), o assessor Diego Lagomarsino (que emprestou a Nisman a arma que o matou) e o jornalista Damián Pachter (primeiro a saber do caso), serão chamados para novos depoimentos.