‘Continuamos a ver tendências negativas’, afirma diretora da Fitch
Redação DM
Publicado em 17 de dezembro de 2015 às 04:05 | Atualizado há 11 anosRIO – A piora mais aguda da recessão econômica no terceiro trimestre, cujo resultado foi divulgado no começo do mês, foi determinante para que a Fitch rebaixasse o Brasil, segundo a diretora sênior da agência Shelly Shetty.
— A recessão foi maior do que esperávamos, e tivemos de mudar nossa perspectiva para a atividade econômica depois dos números do terceiro trimestre. Agora, esperamos uma retração de 3,7% este ano e de 2,5% no ano que vem — disse a analista. — Continuamos a ver tendências negativas. Não há melhora na confiança dos consumidores ou dos empresários, por exemplo.
Junto com a decepção com o Produto Interno Bruto (PIB), contribuíram a deterioração do desempenho fiscal e o início do processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff, afirmou Shelly. A agência prevê que o Brasil voltará a ter déficit em 2016, com a dívida bruta atingindo 70% do PIB, relação que deve continuar a crescer em 2017. O rito de impedimento da presidente piora a situação porque atrasa a aprovação de medidas de ajuste fiscal, explicou:
— O impeachment traz incerteza para o cenário político. Esse processo pode continuar a distrair o Congresso, que precisa implementar reformas estruturais. Mas a Fitch não sabe que efeito o processo de impeachment virá a ter na politica econômica. Ainda é cedo, é preciso aguardar o fim do processo.
CUSTO MAIOR DE FINANCIAMENTO
A perspectiva para o Brasil foi mantida em estágio negativo pela Fitch. Segundo Shelly, a agência costuma aguardar de 12 a 24 meses para promover nova ação de rating, mas o cronograma depende da conjuntura.
— As últimas ações (com relação ao Brasil) foram mais rápidas do que isso porque a situação piorou mais do que esperávamos. Agora, vamos continuar monitorando o cenário — disse.
Segundo ela, o Brasil pode voltar a ser rebaixado caso a recessão seja mais prolongada do que se imagina hoje ou se o governo não conseguir aprovar medidas fiscais. Quanto aos rumores de que o ministro Joaquim Levy estaria deixando a Fazenda, Shelly disse que a agência olha mais para políticas do que para pessoas:
— Observamos o aspecto mais amplo. O foco é na real implementação de políticas para a melhora da perspectiva da meta fiscal e da trajetória da dívida.
A perda do grau de investimento levará ao aumento do custo de financiamento do governo e das empresas brasileiras, segundo Josephine Shea, gerente do Standish Mellon Asset:
— O downgrade reduz o acesso aos mercados de capitais. As empresas também enfrentarão dificuldade maior de emitir ações. Tudo isso leva a uma redução da liquidez dos mercados, e isso tem efeito negativo na economia.