Cotidiano

Morador de rua famoso é velado na Câmara de Vereadores

Redação DM

Publicado em 17 de dezembro de 2015 às 03:05 | Atualizado há 11 anos

RIO – Pela primeira vez, um morador de rua foi velado na Câmara dos Vereadores do Rio. Sérgio Luiz Santos das Dores, o Presidente, era presença constante nas manifestações dos últimos anos na cidade, tornando-se um dos símbolos desses protestos. Vivia sob as marquises da Cinelândia e morreu na última segunda-feira, aos 63 anos.

No velório desta quarta-feira, centenas de representantes de movimentos sociais, sindicalistas e políticos foram dar adeus ao Presidente. Passaram por lá, por exemplo, ativistas como Elisa Quadros, a Sininho.

— Para nós, ele era como um guru. Mesmo sem acesso aos jornais ou a redes sociais, estava sempre por dentro de tudo. Conseguia unir todas as correntes políticas — disse o criminalista Hare Brasil, integrante dos coletivos Mariachi e Carranca.

Ele contou que Presidente era aposentado do IBGE. Em 2011, quando sua mãe morreu, deixou a casa em que vivia e foi parar nas ruas. A Cinelândia de tantas manifestações virou seu lar. E, no contato com os debates políticos e protestos, tornou-se militante.

— Ele se informava de tudo. Às vezes, eu ia à escadaria da Câmara para perguntar a ele o que estava acontecendo. Sabia até se o ministro da Fazenda estava em algum prédio do Centro — lembrou o vereador Renato Cinco (PSOL) .

Foi outro vereador do mesmo partido, Babá, quem protocolou o pedido para que o velório ocorresse na Câmara, por solicitação de militantes.

— Foi um morador de rua revolucionário e lutador — afirmou Babá.

Presidente, que sofria do mal de Parkinson, foi acometido de septicemia depois de ter uma erisipela.

No fim do velório, o caixão foi levado em cortejo até o Cemitério do Catumbi, onde aconteceu o enterro.

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