Cotidiano

Paraná faz megaoperação contra organização criminosa

Redação DM

Publicado em 16 de dezembro de 2015 às 23:35 | Atualizado há 11 anos

SÃO PAULO. Uma operação degragrada nesta quinta-feira no Paraná contra integrantes de uma facção criminosa que atua em presídios do país, deverá ajudar a instruir investigações em outros 11 estados do país – Minas Gerais, São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Bahia, Alagoas, Ceará, Goiás, Santa Catarina, Pernambuco, Rio Grande do Norte. A Justiça expediu 767 mandados de prisão preventiva contra os membros da facção no Paraná, dos quais 484 já cumpriam pena em presídios do estado e 273 estavam soltos. Até meio dia desta quinta-feira, 89 foram presos, entre eles dois advogados que, segundo a polícia, atuavam como mensageiros da facção. Dez haviam sido mortos, muito deles pela própria quadrilha.

A facção, que se organiza dentro e fora de presídios, é responsável por crimes como tráfico de drogas, armas, roubos de carros e residências, e homicídios.

Wagner Mesquita, secretário de Segurança Pública do Paraná, afirmou que a investigação começou há um ano, com a apreensão de cadernos com registros de criminosos associados à organização criminosa. Com base nestas e em outras anotações identificadas foram quebrados os sigilos de 237 telefones. As ligações foram interceptadas, gerando mais de 1.700 horas de gravações de conversas entre os criminosos acompanhadas e analisadas pelos órgãos de inteligência do estado. A Justiça determinou bloqueio de 28 contas bancárias, cujos valores serão sequestrados.

Mesquita informou que os 484 detentos do Paraná passarão a responder por organização criminosa e alguns dos líderes deverão ser transferidos para presídios de segurança máxima. Dois dos líderes da organização criminosa, segundo ele, estavam em presídios paulistas e a Secretaria de Administração Penitenciária de São Paulo transferiu a dupla para o Regime Disciplinar Diferenciado, em isolamento.

– Quando os criminosos se associam à facção recebem um número, têm padrinhos e os pagamentos são formalizados em cadernos. Os registros são as provas. Ao entrar para a facção, os que já estão presos por outros crimes ficam sujeitos a uma pena muito maior – afirmou o secretário.

Mesquita disse que foi possível identificar a rede de responsabilidades dentro da facção e as pessoas com maior poder de decisão.

Ao falar sobre a participação de detentos na quadrilha, Mesquisa afirmou que o Paraná vai instalar bloqueadores de celular nos presídios, mas que a medida não é garantia total de interrupção das comunicações e de que presos não continuem a liderar crimes. O motivo, explicou, é que mesmo sem celular o grupo utiliza como mensageiros parentes e até mesmo advogados, como foi o caso dos dois profissionais identidicados, o que gera necessidade de fiscalização constante.

As prisões estão sendo realizadas em Curitiba, na Região Metropolitana e em 52 cidades do interior. Em oito presídios do estado, as celas revistadas. Também foram realizados quatro mandados de busca e apreensão.

A megaoperação, que reúne as polícias militar e civil do estado, com 1.500 policiais, foi batizada de Alexandria. Ocorreu em parceria com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e com o Departamento de Execução Penal do Paraná (Depen). De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, o nome da operação foi inspirado na Biblioteca Real de Alexandria, destruída por incêndio, “onde estava reunido praticamente todo o saber da Antiguidade”.

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