Governos rivais na Líbia ameaçam não assinar acordo de paz e união
Redação DM
Publicado em 16 de dezembro de 2015 às 03:25 | Atualizado há 11 anosRABAT – Os governos rivais que reivindicam o poder na Líbia rechaçaram arrastado acordo de paz e conciliação proposta pela ONU, segundo fontes dos dois lados. O processo vinha sendo adiado entre o governo provisório, reconhecido internacionalmente em Tobruk, e o Executivo islamista que se instalou na capital, Trípoli. Apelos internacionais tentavam convencer os dois lados a apaziguarem as tensões e formarem um governo de coalizão.
Os líderes dos Parlamentos se encontraram nesta terça-feira no Marrocos, mas não anunciaram qualquer definição sobre um acordo, o que a ONU chegou a anunciar como concluído meses antes.
— Encontramos um ao outro para tentar achar uma solução para a crise e fazer o mundo saber que podemos trabalhar nisso — disse Aguila Saleh, líder da Câmara reconhecida internacionalmente, em Tobruk.
Dias antes, um comunicado conjunto assinado por 17 países, além da União Europeia, Liga Árabe e União Africana, apelou para o imediato cessar-fogo e a formação de um governo de unidade nacional na Líbia, em apoio a um plano das Nações Unidas. O grupo, que conta com a participação de potências como EUA, Rússia, China, Alemanha, Itália e Egito, promete apoio econômico e humanitário para estabilizar o país, mas ameaça cortar relações com as facções que não se comprometerem com o pacto.
“Estamos prontos para apoiar a implementação do acordo político e sublinhamos nosso firme compromisso em fornecer ao governo nacional apoio político e assistência técnica, econômica, de segurança e contraterrorismo, conforme solicitado”, diz o documento.
A Líbia mergulhou no caos após uma rebelião apoiada pelo Ocidente derrubar Muamar Kadafi, há quatro anos. O governo reconhecido e o Congresso eleito operam apenas na região Leste do país desde o ano passado, quando a capital Trípoli foi tomada por uma facção que criou o seu próprio governo. Cada grupo é formado por diferentes alianças de rebeldes que lutaram contra Kadafi.
O país é rico em petróleo, mas desde a queda de Kadafi, a pobreza se espalhou. De acordo com as Nações Unidas, 2,4 milhões dos seis milhões de líbios passam por necessidades. A pressão internacional por um governo de união visa a combater redes de traficantes que enviam para a Itália milhares de imigrantes ilegais em condições desumanas, além de conter o avanço do Estado Islâmico no país.
No caos, o grupo terrorista ganha força e ocupa espaços. Estimativas apontam que existam na Líbia cerca de três mil combatentes do Estado Islâmico, que solidificaram sua presença no país na cidade de Sirta, a primeira conquistada fora da Síria e do Iraque. Estima-se que haja milhares de terroristas em solo líbio.