Saúde da coluna vertebral
Redação DM
Publicado em 15 de dezembro de 2015 às 18:39 | Atualizado há 10 anosSegundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 80 a 85% da população tem ou terá pelos menos um episódio de dores nas costas. Esse mal já é a 2ª maior queixa das pessoas no mundo em consultas médicas. A lombalgia (dores nas costas) já é a principal causa de afastamento de pessoas (abaixo de 45 anos) do trabalho em países desenvolvidos. Gastam-se mais de U$ 50 bilhões por ano com cirurgias, medicações e exames de Ressonância Magnética nos Estados Unidos devido a esse problema. No Brasil, não temos números oficiais, mas estima-se que os gastos cheguem a esse patamar.
As principais causas são: fatores individuais, isto é, a pessoa já nasce com uma pré-disposição para ter dor, geralmente uma estrutura fraca dos componentes da coluna como músculos, ligamentos, discos; fatores biomecânicos, ou seja, o excesso de movimentos errados para frente do tronco (flexão), carregamento de pesos exagerados e a postura sentada errada e prolongada; e fatores biopsicossociais, onde o indivíduo tem uma sensibilidade aumentada à dor, não se sabe por que, mas não se encontra lesão nas estruturas.
A história natural dessa dor é que ela é “recorrente”, isto é, quem teve, tem muita chance de ter novamente e “auto-limitante”, mesmo que o indivíduo não faça nada para tratar, ela desaparece espontaneamente em até 15 dias, para 40% dos casos e em até 3 meses, para 60% dos casos. Isso não quer dizer que a causa da dor foi sanada, por isso, existe um consenso mundial em relação ao tratamento, prevenção ou convivência desse problema: exercícios físicos e boa postura.
O simples fato de sentar errado, muito comum em repartições públicas, por exemplo, já aumenta a pressão em cima dos discos intervertebrais da coluna em cerca de 120%. Isso leva ao aparecimento das famosas hérnias de disco, que são caracterizadas pelo deslocamento dessas estruturas da coluna que pressionam regiões como os nervos, gerando dores localizadas ou irradiadas para os braços e pernas. Outros sintomas das hérnias são formigamento e fraqueza muscular.
O tratamento médico geralmente só tem efeito em crises muito agudas. Nas dores mais crônicas, acima de 3 meses, o mais indicado é a fisioterapia, que age com as terapias manuais (osteopatia, quiropraxia e mobilizações articulares), tração mecânica, fortalecimento da musculatura profunda da coluna (estabilização vertebral); exercícios de fortalecimento muscular, como pilates e musculação, além de exercícios aeróbicos (esteira, bicicleta). Felizmente, menos de 5% dos casos são indicados para cirurgia. A maioria será tratada de forma conservadora, ou seja, preservando as estruturas da coluna. A mudança de hábitos como alimentação saudável, perda de peso e cuidados posturais manterão os resultados.
Lázaro Gutto F. Véras é fisioterapeuta e professor do curso de fisioterapia da Faculdade Estácio