Economia

Apple abre laboratório secreto em Taiwan para criar novas telas

Redação DM

Publicado em 15 de dezembro de 2015 às 06:00 | Atualizado há 11 anos

TAIPEI — Em silêncio, a Apple mantém desde abril deste ano um laboratório em Taiwan. A companhia não confirma, mas fontes informaram à Bloomberg que a instalação abriga ao menos 50 funcionários, sobretudo engenheiros, que trabalham no desenvolvimento de novas tecnologias de telas para iPhones, iPads e computadores. O objetivo é criar produtos mais leves e finos, com mais brilho e menos consumo de energia, e, de quebra, reduzir a dependência de rivais como Samsung, LG e Sharp.

A Apple é a segunda maior fabricante de smartphones do mundo, mas, de longe, a que mais fatura no setor. Apenas no terceiro trimestre do ano, foram vendidos 48 milhões de iPhones, que geraram US$ 32,2 bilhões para os cofres da companhia. O aparelho representa cerca de dois terços de todo o faturamento da companhia, mas, em termos de tecnologia de tela, ele está ficando defasado em relação aos concorrentes. A Samsung, por exemplo, já possui produtos com tela curva e de diodo orgânico emissor de luz (OLED), considerado superior à tela de cristal líquido (LCD) dos iPhones.

E o desenvolvimento de tecnologia própria pode reduzir os custos de fabricação e a dependência em relação a rivais. A Apple faz a maior parte de suas pesquisas em Cupertino, na Califórnia, e terceiriza a fabricação de praticamente todos os produtos e componentes a fornecedores como a Foxconn. No caso das telas, as peças são da Samsung Electronics, LG Display, Sharp e Japan Display. Com tecnologia própria, a companhia pode repassar a produção para empresas menores, como as taiwanesas AU Optronics e Innolux.

Após a divulgação da notícia, as ações da AU Optronics dispararam 7%, para a maior alta em quatro meses, e da Innolux saltaram 2,6%. Por outro lado, os papéis da Japan Display perderam 3,9% e da Sharp, 1,6%.

INSTALAÇÃO DISCRETA

O prédio, com fachada de tijolos brancos, fica em uma esquina do Longtan Science Park, a cerca de 50 quilômetros do centro da capital Taipei. Do lado de fora, não há qualquer indicação de que ali está instalado um dos laboratórios de pesquisa da companhia mais valiosa do mundo. Na recepção, o logotipo na parede e um iMac com a tela padrão da Apple para registro de visitantes são os únicos sinais de que a instalação pertence à empresa de Cupertino.

A recepcionista não fornece nenhum detalhe sobre as operações do laboratório, tampouco os seguranças. Funcionários, com crachás da Apple, foram abordados pela reportagem da Bloomberg, mas também se negaram a falar. Registros do Hsinchu Science Park, que gerencia o Longtan, apontam que a Apple ocupou o edifício em abril, no lugar que a Qualcomm Panel Manufacturing funcionava desde 2008.

Leia também

Siga o Diário da Manhã no Google Notícias e fique sempre por dentro

edição
do dia

Impresso do dia