Eduardo Paes endurece críticas contra processo de impeachment
Redação DM
Publicado em 14 de dezembro de 2015 às 04:55 | Atualizado há 11 anosRIO — O prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB) endureceu ontem às suas críticas ao processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Antes de viajar para Brasília, a fim de se juntar a outro prefeitos para manifestar apoio à presidente, Paes disse que “o poder se ganha disputando eleição”. E defendeu que o PMDB tenha uma candidatura própria em 2018 e “chegue ao poder pela via legítima do voto popular”. Para ele, deve haver respeito institucional no Brasil.
— Há um certo jogo de barganha com as instituições brasileiras nesse caso. Quer se contestar a Dilma, que se conteste. Quer se fazer oposição, que se faça. Daí a fazer um processo de impedimento por impopularidade e porque não se concorda com a política econômica, acho um pouco demais — afirmou Paes. — Não é uma questão de ser ou não aliado da presidenta. É uma questão de respeito às instituições brasileiras.
Para Paes não há nada que leve a um crime de responsabilidade que justifique um processo de impeachment contra Dilma Rousseff:
— Historicamente, o PMDB sido defensor das instituições. A gente espera que esse papel, que é uma marca do PMDB, continue nos orgulhando como peemedebistas. A presidenta venceu as eleições de 2014. E não vivemos, hoje, um regime parlamentarista, em que popularidade e problemas econômicos possam ser resolvidos com queda de governo. No sistema presidencialista, que é o sistema brasileiro, e a presidenta Dilma foi eleita nesse sistema, o que temos é um processo em que você pressiona para que o governo avance.
ENVERGONHADO COMO PEEMEDEBISTA
O prefeito considerou uma violência e disse se sentir envergonhado com o fato de a liderança do PMDB na Câmara ter sido alçada “na mão grande” pelo deputado Leonardo Quintão (MG), na semana passada, quando o deputado Leonardo Picciani (RJ) foi destituído do cargo.
— Tinha uma eleição convocada para fevereiro. Essa é mais uma medida que desrespeita valores institucionais. Respeito o direito do Quintão de ser líder do PMDB. Mas deveria esperar a hora da votação em fevereiro, colocar o seu nome. Esse tipo de atitude de levar as coisas meio “na mão grande” prejudica a imagem do partido, que sempre teve como marco o respeito às instituições, à democracia, ao desejo da maioria. Esse tipo de coisa me envergonha como peemedebista.
O governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, também voltou a adotar o tom crítico em relação ao processo de impeachment. Disse ontem que esta não é uma discussão que o país precise no momento. Ao contrário:
— Essa discussão não vai levar a nada. Pode, sim, aprofundar o desemprego, o que não interessa a ninguém. Essa não é a agenda que desejamos.
Para Pezão, entre os governadores não vê ambiente para um processo de impeachment. No mesmo tom de Paes, o governador afirmou que só pelas urnas é possível chegar ao poder:
—É preciso respeitar os resultados das urnas e dar governabilidade ao país. O PMDB, que sempre foi um partido que ajudou a todos os governos, do Itamar, do Lula, tem de ajudar o da presidenta Dilma onde tem o vice presidente Michel Temer.
Sem querer polemizar com Temer, Pezão foi político:
— Não tenho conversado com o Temer. Mas quero ficar com a mensagem dele da governabilidade. Ele é um constitucionalista. Acredito nas convicções democráticas dele.