Símbolo de garra e superação
Redação DM
Publicado em 12 de dezembro de 2015 às 01:21 | Atualizado há 1 anoQuando teve sua contratação confirmada pelo Vila Nova no início de 2015, Robston teve a oportunidade de mostrar em campo que o “passado é passado” e os problemas que o assombraram em 2014 ficaram apenas no esquecimento. Desde sua chegada, até as primeiras partidas, o volante de 33 anos demonstrou dentro de campo o coração, a garra e a luta de um menino, sendo um dos organizadores da equipe, no setor de meio-campo, mas além de tudo, um líder, tanto dentro quanto fora de campo.
Não demorou para o torcedor colorado ver a garra, a luta e o empenho do jogador nos jogos colorados, tanto da Divisão de Acesso quanto da Série C, apoiando-o do primeiro ao último minuto, por ser aquele atleta que enverga o espírito guerreiro que todo colorado deseja ver em seus jogadores. Considerado por seus companheiros aquele que não fala nas vitórias, mas que apoia nas horas ruins, Robston é um jogador de coração enorme e leva esse coração para dentro de campo.
ESPÍRITO
Na última, mas não menos importante entrevista da Série “Das Cinzas a Glória”, conversamos com Robston, que enverga o espírito da série, o de “ressurreição”, tendo um ano de 2015 inesquecível.
Entrevista – Robston
Diário da Manhã – Passado 2015, dois títulos, caiu a ficha desse ano maravilhoso?
Robston – Ainda estou desfrutando um pouco, até porque acho que só vai cair mais no dia 4, quando a gente se reapresentar, após passar o ano. Temos que aproveitar ao máximo desse restinho, porque foram duas conquistas superimportantes, com muito sacrifício, com muita luta. A ficha ainda não caiu, porque de vez em quando eu fico assistindo ainda alguns lances. Então é maravilhoso você conquistar os objetivos que você traçou durante o começo do ano .
Diário da Manhã – Após o título, você estava em lágrimas. Essas lágrimas foram de alívio, de felicidade, o que você pode descrever pra gente?
Robston – De tudo um pouco, de alegria, de alívio, sentimento de dever cumprido. Isso era um sentimento que eu gostaria de sentir novamente depois de um ano difícil. Aquele momento vai ficar gravado na minha memória, porque muitos não acreditavam na gente e quando eu peguei aquela taça para gritar “É campeão”. Para mim foi uma emoção muito boa, passou muitas coisas na minha cabeça.
Diário da Manhã – Conversei com Moisés, com o Édson, que disseram que são gratos a você por ter vindo ao Vila, o Moisés disse que você é um líder dentro de campo. O que você pode falar deles? Você pode se considerar um líder?
Robston – Isso é algo meu, de família, desde o início da minha carreira eu já tinha isso dentro de mim. Aprendi muito mais ainda com outros líderes quando comecei minha carreira, me espelhando em um cara que eu cito bastante, que é o Jairo (zagueiro), que eu joguei no Atlético. O Moisés é um cara humilde, simples, merece tudo que está acontecendo na vida dele, por tudo que ele já passou. Ele me contou das “andanças” dele no futebol, onde ele ficou sem receber, até passando fome. Por isso que o sucesso dele está sendo grande, pela humildade e simplicidade dele. Falar do Édson, eu sou meio suspeito. O Édson é um irmão, temos uma amizade muito boa, de um ir na casa do outro, nossas esposas se encontrarem, os nossos filhos brincarem. Conheci ele em 2009, jogamos juntos no Atlético (GO) e no Atlético (PR). No final do ano passado, quando eu recebi o convite do Vila, eles estavam atrás de um goleiro e eu indiquei ele. O contrato dele se encerrava com o Goiás, acho que eles não iam renovar, na hora ele ficou meio assim, por jogar uma segunda divisão de Goiano e falei para ele que no futebol só é visto quem joga e quem está no banco não é lembrado. Fico feliz por ele. Sou elogios não só a esses dois, mas o grupo todo. Aquele grupo nosso vai ficar marcado na minha memória, porque não houve discussão, briga, houve só títulos e união.
Diário da Manhã – Moisés me falou que nas vitórias você não falava nada, mas na derrota você chegava e as vezes puxava a orelha do pessoal. Houve dois momentos assim que pode se dizer que foram os divisores de água do Vila neste ano de 2015, que foram o jogo contra o Anápolis, que se criou todo aquele clima, e o jogo contra a Portuguesa lá em São Paulo. O que você, como capitão, transmitiu como mensagem para os jogadores nesses dois jogos em específico.
Robston – Contra o Anápolis teve aquela primeira partida em que houve provocações comigo. Ali o mais legal de tudo foi que o grupo comprou a minha causa. A partir daquele momento, eu fiquei muito feliz, vi que o pessoal estava do meu lado e eu procuro transmitir tranquilidade. No jogo contra o Anápolis foi uma semana de bastante conversa e cobrança, e é como o Moisés falou, a gente tem que cobrar nas derrotas porque sabemos da nossa qualidade. Já contra a Portuguesa a gente se cobrou bastante . Quando a gente perdeu o jogo contra o ASA, todos falavam que o Vila iria ser eliminado e não iria subir, porque iria pegar a Portuguesa. Eu acredito que o futebol mudou, ele se resolve dentro de campo. Quando a gente começou a preparação para o primeiro jogo da Portuguesa, eu já vinha falando para cada um mostrar a sua força, tirando o melhor de si e cada um foi naquilo. O jogo a gente ganha na semana e eu sentia nosso grupo treinando bem e querendo a vaga, e deu no que deu, que foi a classificação, e os mesmos que mandaram mensagem falando que a gente não conseguiria chegar a Série B, porque nós iríamos enfrentar a Portuguesa, depois reconheceram a força do nosso grupo. Nosso grupo não era um grupo excelente, de craques e de jogadores extraordinários, mas sim de guerreiros, que queriam vencer na vida, tanto é que muitos tem proposta, outros renovaram, e eu acredito que o mais importante foi isso. No jogo contra o Londrina foi a mesma coisa, a gente perdeu para eles por 1 a 0, eu cheguei no vestiário e vi todo mundo cabisbaixo e acabei perguntando se alguém duvidava se a gente tem condições de reverter no Serra Dourada e todo mundo falou que sim. Foi ali que começamos a ganhar o jogo contra o Londrina, tanto é que quando a gente tomou o primeiro gol, ninguém se abateu porque sabíamos da nossa qualidade.
Diário da Manhã – A união fez a força em 2015 no Vila Nova?
Robston – A união foi o ponto fundamental pra gente conquistar os nossos objetivos. É como falei, as vezes durante a semana, você ter uma discussão, uma briga, um xingamento com um companheiro, influencia no jogo, porque as vezes o cara fica pra baixo, com raiva do outro, então eu acho que nesse ano a união fez a força, porque todo mundo se gostava. Discussão no meio de 30 jogadores é normal. Um treino, uma jogada mais forte, mas não teve confusão, um brigando na porrada com o outro, como teve em outras equipes da Série C, como o ASA e o Botafogo. Então a gente se uniu, a gente fechou. Quando eu cheguei aqui eu falei que vim para resgatar o meu futebol, minha imagem e cada um de vocês vai fazer a mesma coisa e cada um deles comprou isso e foi passando e aqueles que não acreditavam, quando viram a gente estava erguendo a taça.
Diário da Manhã – O que você pode falar do torcedor colorado?
Robston – Preciso procurar palavras para falar desse torcedor. Não vou falar nem da Série C, porque o que ele fez na Divisão de Acesso do Campeonato Goiano é uma coisa inexplicável. Não é fácil você ver o clube que você ama na segunda divisão do campeonato regional e todos os jogos no Serra Dourada eram de 10, 12 mil pessoas. No interior a torcida do Vila era maior. Nesse ano eles carregaram o Vila, botaram no colo e disseram “deixa que eu te levo” e foi o que aconteceu nesse ano. A festa linda que eles fizeram nos jogos finais contra Brasil, Londrina e Portuguesa. Lá em São Paulo eles invadiram lá em São Paulo e fizeram uma festa bonita. Então só peço que em 2016 eles tenham o mesmo comprometimento com o time, porque o time vai ter o comprometimento com o torcedor.
Diário da Manhã – Você pode se considerar a “alma”, o “espírito” do time colorado?
Robston – Isso aí quem gostava de falar muito era o Hugo (Jorge Bravo, diretor de futebol), porque eu me lembro que teve um jogo entre o Vila e o América de Morrinhos aqui no Serra Dourada, em que eu fiquei calado, pois aconteceram uns problemas familiares antes da partida e eu fui para o jogo meio quieto. Ele chegou em mim, viu que eu estava quieto, porque eu sou um cara que no vestiário eu procuro já deixar meu time ligado, falando, gritando porque a gente tem que entrar ligado e nesse ele falou pra mim que eu era a alma do time. No dia que a gente foi campeão contra o Goiânia ele virou e falou pra mim que no jogo em que eu não falei nada foi a pior partida que a gente fez. Então eu me considero a alma do time, porque sou um cara agitado, um cara que me cobro e cobro meu grupo, porque eu dependo disso, minha família depende disso. Para ajudar meus familiares eu tenho que estar bem, tem que estar acontecendo as vitórias. Muitos me consideram enjoado demais, mas é o que eu falo para eles, que prefiro brigar , cobrando dentro de campo, para depois estar passando na sala do presidente para pegar o nosso “bichinho” (premiação por vitórias), porque as vezes você fica calado e não tem o nosso dinheirinho.
Diário da Manhã – O que o Robston projeta pessoalmente para 2016?
Robston – Mais um ano, vou estar um pouquinho mais velho, daqui a dez dias vou estar fazendo 34 anos. Espero uma temporada maravilhosa, melhor do que 2015 vou me preparar melhor do que me preparei para 2015, projeto ser campeão goiano, campeão da Copa Verde e campeão da Série B. Muitos vão me achar doido, porque tem o Vasco na Série B, mas no ano que o Vasco estava na Série B, o campeão foi o Joinville. Acredito que o torcedor do Vila quer muito mais esse título goiano, do que o da Série B, porque o título goiano em cima de um rival como o Atlético ou o Goiás, será muito mais gostoso. A Copa Verde que o Vila entrou por causa do torcedor, tem que deixar isso bem claro, porque o que o torcedor foi o que deu crédito para que o Vila fosse convidado para disputar a Copa Verde. É uma competição difícil também, mas dá a vaga para a Sul-americana. Não tem esse negócio de poupar, porque se entrou tem que entrar com tudo e a Série B, que é o maior objetivo do ano que é colocar o Vila na Série A. Esse é o meu ano, vou me preparar bastante.
Diário da Manhã – Teve uma declaração sua de que você falou que os três goianos iriam estar na Série B em 2016. Muitos diziam que o Moisés é o profeta, mas no final quem foi o profeta é o Robston?
Robston – A questão não é de ser profeta, mas na nossa profissão a questão é de momento. Como eu falei, ninguém é bobo, as vezes tem muitas pessoas que ficam em cima do muro, com medo de falar, principalmente muitos comentaristas, muitos membros da imprensa, ficam com medo de falar, porque torcem para um time, para outro ou ficam com medo de acontecer alguma coisa. O que eu falei foi o momento do futebol, futebol é momento. No caso o Goiás vivia um momento muito ruim na competição, como viveu em todo o Brasileiro. Ganhou o Campeonato Goiano arrastado, então a gente já sabia o que ia vir pela frente. Eu falei uma coisa e muitos já falaram que eu atestei que o Goiás já tinha caído. Só dei uma opinião, porque o momento do Goiás era ruim e o momento do Vila era super bom, maravilhoso e o momento do Atlético era instável, mas nada contra o Goiás, contra o torcedor do Goiás. Não vou torcer contra o Goiás, porque o Goiás nunca me fez mal, eu tenho que trabalhar no meu clube pra eu fazer meu melhor. Torço que 2016 o Vila possa fazer um ano maravilhoso e que a gente possa conquistar os nossos três objetivos que é as três competições que nós vamos disputar.
Robston na Série C
- Carlos Robston Ludgero Júnior (33 anos)
- Na Série C
- 21 jogos
- 1 gol
- 9 cartões amarelos