Cotidiano

Argentina abandonará acordo com o Irã vinculado a atentado

Redação DM

Publicado em 11 de dezembro de 2015 às 03:31 | Atualizado há 11 anos

BUENOS AIRES – Numa guinada de 180 graus na política externa argentina, o novo ministro da Justiça, Germán Garavano, decidiu desistir da briga judicial pelo memorando de pacto com o Irã. Segundo o “La Nación” e o “Clarín”, o país abdicará de um polêmico acordo vinculado a uma briga judicial que poderia culminar com o indiciamento de Cristina Kirchner e seus aliados. O anúncio oficial será feito na segunda-feira.

O documento assinado pelo governo de Cristina era denunciado pelo promotor Alberto Nisman, que apareceu morto em janeiro antes de apresentar denúncias sobre um possível encobrimento do atentado de 1994 à Associação Mutual Israelita Argentina (Amia). Segundo Nisman, o governo tentava pactuar com o país persa uma maneira de receber compensações econômicas para encobrir os responsáveis pelo crime que matou 85 pessoas, atribuídos ao Hezbollah.

As declarações de Nisman, que tiveram respaldo de outros juristas argentinos e internacionais, davam conta de que o ex-chanceler Héctor Timerman teria feito o acordo negociando apoio energético e de petróleo em troca do gradual afrouxamento das investigações contra os nove principais suspeitos do ataque, que deixou também 300 feridos na organização judaica. Oficialmente, o pacto era uma cooperação bilateral nos temas, onde os acusados seriam interrogados no próprio país.

Em maio de 2014, o acordo foi derrubado após um apelo de Nisman ser acatado por dois juízes federais. O então ministro de Justiça, Julio Alak, brigou pela reversão da medida.

Em janeiro deste ano, Nisman apareceu morto com um tiro na cabeça um dia antes de denunciar oficialmente no Congresso Cristina, Timerman e outros kirchneristas, alegando ter escutas telefônicas que comprovavam as supostas negociatas. Não se sabe até hoje quem disparou a arma, mas o presidente Mauricio Macri prometeu dar mais enfoque às investigações.

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