Novo presidente da OAS é preso por desvio em obras do São Francisco
Redação DM
Publicado em 11 de dezembro de 2015 às 03:05 | Atualizado há 11 anosBRASÍLIA, SÃO PAULO — Elmar Varjão, presidente da OAS, foi preso nesta sexta-feira na Operação Vidas Secas – Sinhá Vitória da Polícia ederal, desdobramento da Operação Lava-Jato que investiga desvio de recursos públicos nas obras de transposição do Rio São Francisco. A prisão é temporária, por cinco dias, e pode ser prorrogada. Além dele foram presos executivos das construtoras Coesa Engenharia, Barbosa Melo e Galvão Engenharia. As quatro empreiteiras formavam o consórcio OAS/Galvão/Barbosa Melo/Coesa, que atuava nas obras em Pernambuco.
Elmar Varjão era diretor superintendente da OAS Nordeste e chegou à presidência da empreiteira depois da prisão de José Aldemário Pinheiro Filho, Leo Pinheiro, condenado na Operação Lava-Jato. Léo Pinheiro foi condenado a 16 anos e quatro meses de prisão. Outros quatro executivos da OAS também foram condenados – Agenor Magalhães Medeiros, Fernando Augusto Stremel Andrade, José Ricardo Nogueira Breghirolli e Matheus Coutinho de Sá Oliveira. Todos recorrem da sentença em liberdade.
Segundo investigação da Polícia Federal, os quatro executivos das empreiteiras são acusados de desviar R$ 200 milhões das obras de transposição das águas do rio São Francisco.
“Os investigadores apuraram que empresários do consórcio OAS/GALVÃO/BARBOSA MELO/COESA utilizaram empresas de fachada para desviar cerca de R$ 200 milhões de Reais das verbas públicas destinadas à transposição do rio São Francisco, no trecho que vai do agreste no estado de Pernambuco até a Paraíba. Os contratos investigados, até o momento, são da ordem de R$ 680 milhões”, diz nota divulgada pela PF.
A PF também cumpriu ainda 24 mandados de busca e apreensão e quatro mandados de condução coercitiva.
Segundo a polícia, algumas empresas ligadas à organização criminosa acusadas das fraudes nas obras de transposição “estariam em nome de um doleiro e a um lobista investigados na Operação Lava Jato”. Dirigentes das empresas são acusados de associação criminosa, fraude na execução de contratos e lavagem de dinheiro.
A polícia explica que nome da operação, referência a uma dos livros mais conhecidos de Graciliano Ramos, é uma homenagem a mulher do sertão, “que não se rende à miséria”. Sinhá Vitória, personagem de Vidas Secas, é “uma mulher forte, que fazia as contas do pagamento recebido do dono da fazenda onde trabalhavam sempre chegando à conclusão de que eram roubados”