O mensageiro da confiança
Redação DM
Publicado em 11 de dezembro de 2015 às 01:14 | Atualizado há 1 anoO paulista Márcio Fernandes já teve a oportunidade de conhecer Goiânia ao atuar pela equipe do Goiânia como jogador, em 1991. Como treinador, Márcio ficou conhecido entre os anos de 2003 a 2008, por ter sido responsável pelo lançamento de uma geração vitoriosa da equipe do Santos, que teve jogadores como Diego e Robinho, dois jogadores que levaram o Peixe na época a uma hegemonia de títulos no Campeonato Brasileiro.
Com passagens por equipes como o Fortaleza, o Comercial de Ribeirão Preto, Red Bull Brasil, Brasiliense, Shangai Shenxin da China e por último o Guarani de Campinas, Márcio chegou ao Vila no mês de fevereiro deste ano, ainda no início da Divisão de Acesso em substituição a Wladimir Araújo. O treinador aproveitou ao máximo a oportunidade, e, mesclando jovens promessas da base com jogadores consagrados como Édson, Robston, Frontini e Gustavo Bastos, comandou o Vila com simplicidade e muito trabalho nas conquistas do Campeonato Goiano da Divisão de Acesso, fato que deu ao Vila o acesso ao Goianão 2016 e também na Série C, sendo este o primeiro título de expressão do comandante colorado.
Na quarta parte da série de entrevistas da série “Das Cinzas a Glória”, Márcio Fernandes fala sobre diversos assuntos, principalmente sobre sua permanência ou não no Tigre.
ENTREVISTA – MÁRCIO FERNANDES
Diário da Manhã – Você chegou em meio à Divisão de Acesso. O que você encontrou aqui no Vila Nova antes mesmo de sua primeira partida?
Márcio – Encontramos realmente muita desconfiança no trabalho. Alguns setores do clube muito derrotados, pessoas com a auto estima muito baixa e isso teve que ser mudado. Trocamos algumas áreas que hoje você pode presenciar isto, são áreas que realmente que funcionam, como a lavanderia, a cozinha, o escritório e o almoxarifado, hoje todo o Vila realmente funciona e isso é importante para que o produto final seja satisfatório, seja vencedor, já que não é só o time entra em campo. Então encontramos isso aqui, mas conseguimos um grande ganho e hoje a equipe, não só no futebol, cresceu muito.
Diário da Manhã – Qual o discurso que o Márcio Fernandes fez no vestiário, para transformar a desconfiança em confiança?
Márcio – Para os jogadores eu acho que você tem que realmente trabalhar fora, mas tem que mostrar dentro de campo. Jogador não passa a ter confiança se ele não sente que o comandante realmente tem razão no que ele passa, tem voz de comando, faz as coisas realmente com sinceridade, mesmo errando mas ele sente que realmente o que foi feito é o treinador que está fazendo, e foi tudo isso que aconteceu aqui no Vila, e eles sentiram isso, por isso compraram a idéia
Diário da Manhã – O jogo contra o Anápolis foi o verdadeiro divisor de águas para o título da Divisão de Acesso?
Márcio – Foi o primeiro passo. Talvez se aquilo não acontecesse, o segundo, terceiro e o quarto passo não teriam sido dados. Por isso que eu falo, que as vezes se fala de projeto e planejamento, mas a partir do momento que os resultados não acontecem, muda se tudo. Aquele momento foi um momento bom para ambas às partes, porque primeiro que o treinador realmente começou a ter a confiança de todos e outra que a própria diretoria começou a ter a confiança dos torcedores, porque houve uma mudança em meio ao campeonato onde todos ficaram temerosos. Mas a partir daquele momento as coisas começaram realmente a se encaixar e o título veio para coroar o trabalho do início. Depois no Campeonato Brasileiro, houve mais dúvidas, mais desconfianças, mas o trabalho já era um pouquinho mais fácil porque você já conhecia um pouco do plantel e foi um pouquinho mais tranquilo tocar e isso fez com que os resultados começassem a acontecer, culminando no título.
Diário da Manhã – A chegada de reforços para a Série C, como Ramires, Moisés e Marcelo, deixou o time mais cascudo na Série C?
Márcio – Foi muito importante a vinda desses jogadores, pois são atletas que nos ajudaram muito dentro do Campeonato Brasileiro e trouxeram para esses jogadores que já estavam aqui um alicerce muito grande. Nós tínhamos jogadores muito novos, com a chegada desses atletas nós tivemos mais opções e uma retaguarda melhor e isso foi determinante para a gente chegar aonde chegou.
Diário da Manhã – Houve momentos de instabilidade, tanto na Divisão de Acesso quanto na Série C?
Márcio – Houve sim. Na Divisão de Acesso, a derrota para o Anápolis aqui foi o momento que ficou bastante em dúvida se iríamos chegar ou não. Já no Brasileiro, mesmo mantendo um trabalho bom com muitas vitórias, nós perdemos apenas seis jogos em todo o campeonato, isso é muito difícil. Mesmo assim, tivemos ainda algumas dúvidas. Por isso, que quando somos perguntados sobre planejamento, nós temos dúvidas.
Diário da Manhã – Qual foi o auge do Vila na Série C?
Márcio – Eu acho que o auge foi quando nós provamos no jogo contra o ASA, dentro do Serra Dourada, uma vitória por 3 a 0, que nós não estávamos para brincadeira, porque até aquele momento todo mundo achava que éramos um “cavalo paraguaio”. Ali nós mostramos que não viemos para esse campeonato para brincadeira e que almejávamos o título.
Diário da Manhã – O Márcio Fernandes fica para 2016?
Márcio – “Estamos conversando. As chances são boas para renovação e isso pode acontecer nos próximos dias.”
Tigre deve contratar prata da casa do Santos
Dentro de campo, o Vila Nova segue montando seu elenco para 2016, visando o Campeonato Goiano e o Brasileirão Série B. Após confirmar as contratações de Bruno Oliveira Gustavo Geladeira, Douglas Assis, Luiz Fernando, Vitor Rossini, Kariri e Wendell Lira, a diretoria colorada pode anunciar nos próximos dias mais um jogador para o setor ofensivo.
Trata-se do jovem Diego Cardoso, de 21 anos, revelado pela base do Santos e que atuou na última temporada pelo Bragantino. Diego disputou pela equipe de Bragança quatro partidas, sem marcar nenhum gol. O jovem foi indicação do técnico Márcio Fernandes, que conhece muito bem a base santista e em negociações avançadas, deve ser confirmado como mais um reforço colorado para 2016.
Diego foi artilheiro da Copa São Paulo de Futebol Junior de 2014 e da Copa do Brasil sub-20 em 2013. O jogador chegaria para preencher a lacuna de Moisés, que se transferirá para o futebol sul-coreano no segundo semestre.
UNIFORME
A diretoria de Marketing do Vila Nova divulgou ontem que já estão disponíveis, para venda, cerca de 600 ingressos, para o evento de lançamento do novo uniforme colorado, confeccionado pela empresa mexicana Rinat.
O evento acontecerá na Boate Woods no dia 17 de dezembro, às 20h30, e a compra do ingresso dá direito ao torcedor e sócio ganhar o novo manto colorado, que poderá ser retirado no Estádio Onésio Brasileiro Alvarenga, a partir do dia 21.
Os valores dos ingressos são o seguinte: conselheiro ou associado paga R$ 100,00; sócio torcedor paga R$ 150,00 e torcedor paga R$ 200,00. Os ingressos estarão à venda na loja do Sócio Tigrão no OBA, entre 08h e 18h, e o pagamento pode ser feito em dinheiro à vista ou no cartão.
FRANCESCO
O volante Francesco foi confirmado ontem como novo reforço do Itumbiara até o final do Campeonato Goiano de 2016. O jogador, que foi campeão brasileiro da Série C com o Vila, tinha o interesse do presidente Guto Veronez para permanecer, mas teria recebido uma proposta, cujos vencimentos seriam o dobro de que lhe foi oferecido pelo Tigre para permanecer.
Márcio Fernandes na Série C
- Márcio Fernandes Figueiredo (53 anos)
- Na Série C
- 24 jogos
- 13 vitórias
- 7 empates
- 6 derrotas
- 63,89% de aproveitamento