Sem conservação, unidade da UFRJ suspende aulas
Redação DM
Publicado em 10 de dezembro de 2015 às 03:05 | Atualizado há 11 anosRIO — Infiltrações, rachaduras, teto caindo, janelas quebradas e mofo revelam a degradação do prédio da Faculdade de Educação da UFRJ, na Praia Vermelha, que está há anos sem reforma. Devido às péssimas condições das instalações, as aulas para quase mil alunos estão suspensas até amanhã. A direção tenta agora realocar todas as turmas de graduação e pós-graduação em contêineres e salas espalhadas pelo campus. Após a retirada de todos os equipamentos, o prédio passará por reformas, que já estão em andamento no Palácio Universitário, que fica ao lado.
A decisão de suspender as aulas foi votada anteontem, durante uma reunião da congregação — formada por alunos, professores e técnicos. Para a diretora Ana Maria Monteiro, a situação chegou ao limite: um laudo de engenheiros de segurança do trabalho da própria universidade comprova os riscos de instalações do prédio e recomenda a retirada de todo o pessoal administrativo e do corpo discente do local.
— O laudo apontou uma situação muito insalubre para permanecer aqui. Sem reformas, as infiltrações têm aumentado nos últimos anos. Lugares onde não caía água passaram a ter esse problema. Na semana passada, um pedaço de madeira despencou da janela e tombou no meio do corredor. Estava com cupim e meio solto. Acho que, com a umidade, o pedaço se deslocou e caiu no chão. Por sorte, foi à noite, e os alunos já tinham saído. Mas, realmente, podia ter acontecido alguma coisa. Todo mundo ficou preocupado — comentou a diretora.
O reitor Roberto Leher também reconhece os problemas enfrentados pela Faculdade de Educação. Durante uma audiência pública no Fundão, ele disse que a universidade precisa de um programa governamental para recuperar a infraestrutura dos prédios:
— A infraestrutura da UFRJ sofreu abalos muito grandes nos últimos anos. Temos uma instalação predial que foi feita nos anos 60 e 70 e que está exaurida. Uma instituição da importância, do prestígio e da contribuição que presta ao país não pode estar vivendo uma condição tão precária em termos de infraestrutura. A comunidade deseja que permaneçamos abertos e possamos encontrar soluções de curto prazo para os problemas emergenciais, mantendo a universidade aberta num momento no qual o país precisa de suas universidades.
Segundo a diretora Ana Maria Monteiro, a promessa é que a faculdade seja transferida para a Ilha do Fundão até dezembro de 2016. De acordo com o site do Escritório Técnico da Universidade, as obras do novo prédio estão em andamento, em fase de “locação, armação e cravação das estacas tipo raiz e execução de blocos de fundação”.
DÍVIDA DE R$ 310 MILHÕES
De acordo com o reitor Roberto Leher, a UFRJ precisa de pelo menos R$145 milhões para fechar o semestre letivo, que termina em março de 2016 devido à necessidade de reposição de aulas ocasionada pela greve. No total, a instituição tem uma dívida de cerca de R$310 milhões em valores corrigidos.