Cotidiano

Cristina Kirchiner ainda não sabe se vai à posse de Mauricio Macri

Redação DM

Publicado em 8 de dezembro de 2015 às 22:56 | Atualizado há 1 ano

Monica Yanakiew – Correspondente da Agência Brasil

O chefe de Agência Federal de Inteligência (AFI) da Argentina, Oscar Parrilli, disse hoje (8) que “não estão dadas as condições” para que a presidenta Cristina Kirchner esteja presente na posse de seu sucessor, Mauricio Macri, na próxima quinta-feira (10). Ele se referia à decisão da aliança partidária Cambiemos de recorrer à Justiça para garantir que Macri seja considerado presidente a partir de zero hora de quinta-feira – em vez de 12h do mesmo dia, quando presta juramento no Congresso. Segundo Parrilli, a Argentina ficará sem presidente durante 12 horas: “Entre isso e um golpe de Estado não há muita diferença”, afirmou.

A briga entre Cristina e Macri começou com uma diferença de opinião sobre a cerimônia de posse. O presidente eleito quer jurar perante o Congresso (como determina a Constituição) e receber a faixa presidencial e o bastão de mando na Casa Rosada, o Palácio Presidencial. Essa tradição foi interrompida pela crise de 2001, que desencadeou a renúncia do então presidente Fernando de La Rua.

Nestor Kirchner – primeiro presidente eleito depois de uma série de governos interinos, escolhidos pelos parlamentares para fazer a transição – assumiu em 2003 no Congresso, onde também recebeu a faixa presidencial e o bastão. A viúva de Nestor e sucessora, Cristina Kirchner, fez o mesmo quando foi eleita em 2005 e reeleita em 2011. Nestor Kirchner morreu em 2010.

Cristina queria que seu sucessor seguisse o protocolo estabelecido pelos Kirchner. Mas Macri – cuja eleição marca o fim de 12 anos de governos Kirchneristas – insiste em manter a tradição. Diante da falta de acordo, ele divulgou um comunicado,  informando à presidenta e à imprensa o programa da cerimônia. Nele está previsto a entrega da faixa e do bastã na Casa Rosada.
A atual presidenta reagiu, pelo Twitter, dizendo que foi maltratada por Macri e que não poderia ir à Casa Rosada porque tinham um voo às 15h para assistir à posse da cunhada, Alice Kirchner, como governadora de Santa Cruz. Nos canais de televisão e nas emissoras de rádio, começou um debate sobre quem tem o poder de decidir e como e onde será a cerimônia de posse.

Hoje ocorreu uma reunião com a presença de representantes das duas partes para buscar um consenso. Cristina iria ao juramento e deixaria no recinto do Congresso a faixa e o bastão, para que Macri fizesse o que achasse melhor. Mas ao descobrir que a aliança partidária Cambiemos, que elegeu Macri, tinha pedido uma medida cautelar à Justiça, definindo a hora exata do fim do mandato de Cristina Kirchner, os representantes da presidenta deram por encerrada a discussão sem chegar a uma acordo sobre a participação de Cristina na cerimônia de posse. Agora, os partidários da presidenta estão se mobilizando para fazer uma grande despedida na noite de amanhã (9).

Editor Aécio Amado


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