Cotidiano

Argentina recua sobre Venezuela no Mercosul

Redação DM

Publicado em 8 de dezembro de 2015 às 05:05 | Atualizado há 11 anos

BUENOS AIRES — O presidente eleito da Argentina, Mauricio Macri, que será empossado na próxima quinta-feira, decidiu recuar em sua iniciativa de promover a aplicação da cláusula democrática do Mercosul contra a Venezuela. Segundo explicou a futura ministra das Relações Exteriores, Susana Malcorra, as eleições legislativas de domingo passado “funcionaram dentro do que é o marco democrático e tudo indica que os resultados foram reconhecidos por Maduro”.

A atitude do presidente venezuelano, que na madrugada de domingo admitiu “um resultado adverso” para o chavismo, levou Macri a rever sua posição, faltando menos de duas semanas para a próxima cúpula de presidentes do bloco, que será realizada no Paraguai.

— A cláusula democrática se aplica sobre fatos, e o fato eram as eleições (legislativas) — assegurou Malcorra, até pouco tempo atrás chefe de gabinete das Nações Unidas.

Para a nova chanceler argentina, “nada indica que exista uma razão para aplicar a cláusula democrática”, o que implicaria, na prática, a suspensão da Venezuela do Mercosul.

— Temos de parabenizar o povo venezuelano e reconhecer que o governo teve um gesto muito claro de reconhecimento do resultado das eleições — enfatizou Malcorra.

A utilização da cláusula democrática contra a Venezuela foi uma das promessas de campanha de Macri. O presidente eleito assumiu um compromisso com familiares de presos políticos, entre eles Lilian Tintori e Mitzy Ledezma, de lutar pela liberação de todos e defender, no âmbito do Mercosul, uma condenação ao governo de Maduro pela “violação constante dos direitos humanos”.

Esse foi um dos assuntos discutidos na última sexta-feira, no encontro entre Macri e a presidente Dilma Rousseff, em Brasília. Segundo fontes argentinas, na conversa ficou claro que “as duas posições não são tão diferentes”.

Com a chegada de Macri à Casa Rosada, Maduro perderá uma importante aliada na região. A presidente Cristina Kirchner, às voltas com uma disputa com seu sucessor sobre a cerimônia de transferência de comando presidencial, sempre defendeu a revolução bolivariana, e depois da morte de Hugo Chávez, em 2013, tornou-se uma parceira política chave para Maduro.

De fato, o presidente venezuelano é um dos poucos que ainda não confirmou sua presença na posse de Macri, onde estarão Dilma e outros colegas da região como Michelle Bachelet, do Chile, Tabaré Vázquez, do Uruguai, e Ollanta Humala, do Peru, entre outros.

Até ontem, não estava confirmado onde seria a posse do novo presidente. Macri quer realizar a transferência da faixa e bastão presidenciais na Casa Rosada, após prestar juramento no Parlamento. Já Cristina quer que toda a cerimônia seja no Congresso. A presidente disse estar sendo “maltratada” por Macri e lembrou ao presidente eleito que a posse não é “sua festa de aniversário”.

O final desta novela ainda é incerto. O chefe de Estado eleito cogitou a possibilidade de receber a faixa e o bastão do presidente da Corte Suprema de Justiça, Ricardo Lorenzetti, caso Cristina insista em não comparecer ao palácio de governo. A última desculpa dada pela presidente foi a de que devia pegar um voo da Aerolíneas Argentinas à tarde para presenciar a posse de sua cunhada, Alicia Kirchner, como governadora da província de Santa Cruz.

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