Economia

Governo prevê risco menor de falta de energia

Redação DM

Publicado em 5 de dezembro de 2015 às 05:06 | Atualizado há 11 anos

BRASÍLIA — A melhora das chuvas neste ano, a queda no consumo e a maior flexibilidade na gestão dos reservatórios reduziram o risco de faltar energia elétrica em 2016. Essa melhora de cenário pode levar a uma redução no valor das contas de luz no próximo ano. Para 2016, a previsão oficial do governo feita no mês passado, à qual o GLOBO teve acesso, é de um risco de 1,2% de faltar energia para as regiões Sudeste/Centro-Oeste e de zero para as regiões Nordeste, com base na análise das séries históricas. Em novembro do ano passado, a previsão para 2015 era de 5% de risco nas regiões Sudeste/Centro-Oeste e de 0,7% no Nordeste.

Na próxima quarta-feira, o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), que se reúne novamente no Ministério de Minas e Energia para avaliar a conjuntura de 2016, deverá anunciar publicamente, pela primeira vez, essa projeção para o próximo ano — que pode ainda melhorar em razão da intensidade das chuvas em novembro. No início de 2015, o risco de faltar energia neste ano chegou a superar 6%, acima do teto de 5% definido pelo governo.

Bandeira deve deixar de ser vermelha

O presidente da Associação Brasileira das Distribuidoras de Energia Elétrica (Abradee), Nelson Fonseca Leite, prevê que essa melhora da situação dos reservatórios deverá colaborar para que o governo retire o nível vermelho das bandeiras tarifárias, a partir de março do ano que vem. O sistema de bandeiras atrela o nível dos reservatórios às cores verde, amarelo e vermelha. Desde que entrou em vigor, no início do ano, o sistema está na cor vermelha, o que representa um valor adicional nas contas de luz.

Essa é a mesma visão de Tiago Correia, diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que prevê a migração da bandeira vermelha para a verde após o primeiro trimestre do próximo ano. Isso porque é entre março e abril que termina o período de chuvas mais intensas, quando o governo terá uma visão mais clara da situação no próximo ano.

Leite explica que, quando a bandeira vermelha mudar para a verde, os consumidores do país terão uma redução média de 8% nas tarifas. As bandeiras vermelhas em vigor ao longo de todo o ano colaboraram para a alta de 49,03% nas contas de luz no ano.

— Esperamos que 2016 seja melhor do que 2015 — disse Leite.

Até o fim do ano, a Aneel deve definir qual será o valor do custo extra das bandeiras nas tarifas. Hoje, a bandeira vermelha implica custo de R$ 4,50 a cada cem quilowatts-hora (kWh) consumidos. O governo poderá reduzir esse custo da bandeira vermelha, o que significaria uma redução nas contas de luz já em janeiro.

menor impacto do câmbio

Também nas próximas semanas o governo definirá qual o valor das cotas da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) para 2016, um componente da tarifa. A expectativa é que essa conta seja menor do que em 2015, mas essa diferença só deve ser repassada às tarifas conforme avançar o calendário dos reajustes de cada distribuidora.

Outro fator que deve reduzir os custos da energia no próximo ano é o fato de que boa parte do impacto do câmbio na geração de energia de Itaipu — que está com seu reservatório quase em 100% — já foi paga ao longo de 2015, por meio das próprias bandeiras tarifárias. Ontem, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) voltou a elevar a previsão de águas que chegarão aos reservatórios das regiões Sudeste/Centro-Oeste, que já estava acima da média histórica. Já no Nordeste, que enfrenta forte seca neste ano, as perspectivas semanais voltaram a cair.

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