Cotidiano

‘Projeto chavista é fracasso absoluto e não reconhece isso’, diz historiadora

Redação DM

Publicado em 5 de dezembro de 2015 às 05:05 | Atualizado há 11 anos

RIO – Ex-simpatizante do chavismo, a historiadora Margarita López Maya, da Universidade Central da Venezuela (UCV), afirmou que o presidente Nicolás Maduro será obrigado a negociar caso a oposição se confirme vitoriosa nas eleições legislativas de amanhã. Em entrevista por telefone ao GLOBO, a especialista considerou a disputa uma espécie de referendo sobre o chavismo, evidenciando o caminho que os eleitores querem seguir: continuar com o movimento criado por Hugo Chávez, que ela classificou de “um fracasso absoluto”, ou optar por uma mudança política.

Qual é o clima esperado para as eleições de domingo?

Há um antecedente que foi o assassinato do opositor Luis Manuel Díaz, que gerou um estado de alerta. A tensão é muito forte, mas a vontade popular é se expressar nas urnas pela via pacífica. A tensão pode se intensificar à tarde e à noite se o governo começar a se movimentar fora da lei, não fechando os centros de votação no tempo previsto, deslocando grupos armados e impedindo que observadores da oposição se aproximem, por exemplo.

A possível vitória da oposição evidencia um esgotamento do chavismo?

É a primeira vez em que a oposição tem vantagem em relação ao chavismo. Embora seja uma eleição legislativa, tem um conteúdo plebiscitário muito importante, porque vai mostrar se as pessoas querem uma mudança política ou continuar com o chavismo e um governo sem diálogo, que insulta e oprime.

Quem é a oposição que poderia assumir a Assembleia?

A Mesa da Unidade Democrática (MUD) é formada por cerca de 20 partidos. O grupo está há cinco anos num grande esforço de coesão e desenvolvimento de estratégias conjuntas, propagando um discurso de reconstrução da democracia. Eles devem se manter unidos para levar adiante pautas como a anistia de presos políticos.

Como os chavistas e Maduro reagiriam a uma derrota?

Será um golpe muito forte. O movimento está enfraquecendo e poderia se fragmentar. Maduro será obrigado a negociar e a dialogar, algo que nunca fez. Por outro lado, o presidente poderia solicitar ao Parlamento a aprovação da Lei Habilitante, na qual as leis passariam a ser tramitadas no Executivo. É uma jogada muito perigosa e teria um alto custo político.

As últimas pesquisas apontam para um salto surpreendente da aprovação de Maduro…

O apoio a Maduro continua sendo forte. Tem a ver com o tipo de regime que começou com Chávez, com o populismo. Maduro nunca teve um índice de aprovação inferior a 20%, mesmo com a crise. Já no Brasil, por exemplo, que também enfrenta uma crise, a aprovação de Dilma caiu para 7%.

Quais foram os principais erros do presidente?

Maduro deu continuidade a um modelo de gestão política, econômica e social que não funcionou. O projeto chavista é um fracasso absoluto, e não querem reconhecer isso. Tudo é atribuído à guerra econômica, ao imperialismo… Maduro aumentou o autoritarismo, a ingovernabilidade e a militarização. Não há uma vida tranquila. Falta alimento básico, medicamentos, não há segurança. O presidente excluiu quase metade da população. Chegou ao poder com margem escassa e atuou como se fosse maioria contundente.

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