Dilma se reúne com Temer e ministros para discutir impeachment
Redação DM
Publicado em 3 de dezembro de 2015 às 10:05 | Atualizado há 11 anosBRASÍLIA – A presidente Dilma Rousseff chegou cedo ao Palácio do Planalto, onde iniciou por volta das 9h da manhã uma série de reuniões com o vice Michel Temer e os principais ministros políticos para discutir o impeachment, cujo pedido será lido ainda nesta quinta-feira pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). O encontro com o vice se deu reservadamente e se estendeu por uma longa parte da manhã. Segundo um interlocutor de Dilma, Temer se comprometeu em apoiá-la em sua defesa. Ele também teria dito que defenderá, junto com ela, a legalidade e estabilidade institucional do país. Temer viajou para São Paulo em seguida.
Segundo pessoas próximas a Temer, o vice recomendou à presidente que tenha uma postura “institucional”.O recado foi no sentido de que não mantenha briga verbal com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, porque isso só tende a agravar o quadro. Segundo auxiliares do vice, ele não se colocou à disposição de Dilma no âmbito jurídico porque, para isso, Dilma já conta com o advogado-Geral da União, Luís Inácio Adams, e com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, com quem já se encontrou na tarde de ontem.
Dilma também se encontrou com os ministros Ricardo Berzoini (Secretaria de Governo) e Jaques Wagner (Casa Civil). Berzoini reúne neste instante no Planalto os líderes aliados na Câmara e no Senado. Dilma não participa.
Para enterrar o processo de impeachment no Plenário da Câmara, caso ele seja aceito numa comissão especial que terá de ser criada, Dilma precisa de pelo menos 171 votos.
, a presidente disse que recebeu com indignação a decisão de Cunha de acatar o pedido de impeachment protocolado contra ela. Em referência indireta a Cunha, Dilma afirmou que não tem conta no exterior e que não pesam contra ela denúncias de práticas de atos ilícitos nem de desvio de dinheiro público. Segundo ela, são inconsistentes e improcedentes as razões que embasaram o pedido.
Feito pelos juristas Miguel Reale Júnior, Hélio Bicudo, Janaína Paschoal e Flávio Costa, o pedido foi protocolado por líderes da oposição em outubro. O documento baseia-se nas pedaladas fiscais, que, segundo o Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (TCU), se repetiram em 2015. , Cunha descartou que a medida seja uma retaliação e afirmou que a decisão é de “natureza técnica”.
PETISTA VAI AO STF
O deputado Wadih Damous (PT-RJ) afirmou ao GLOBO que haverá um recurso ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra a decisão do presidente da Câmara. Damous afirmou que as liminares concedidas pelo STF impediam Cunha de tomar qualquer decisão sobre o tema.
– Vamos ao STF porque não há um rito suficientemente definido para promover o impeachment devido às liminares do Supremo, então nenhum processo pode tramitar enquanto esse rito não estiver definido – disse.