Cotidiano

Barusco diz que propina com Sete Brasil foram acertadas dentro da Petrobras

Redação DM

Publicado em 3 de dezembro de 2015 às 09:00 | Atualizado há 11 anos

BRASÍLIA – O delator da Operação Lava-Jato Pedro Barusco afirmou em depoimento à CPI do BNDES que o pagamento de propina nos contratos da Sete Brasil foi acertado ainda durante a concepção da empresa dentro da Petrobras. Barusco foi gerente de Engenharia na Petrobras e diretor de Operações da Sete Brasil. Ele afirmou que a primeira licitação para a contratação de estaleiros, feita ainda no âmbito da Petrobras, já tinha a propina embutida nos acertos. A Sete é fornecedora da estatal e enfrenta dificuldades financeiras para cumprir seus compromissos.

– Já vinha de lá. primeira licitação foi conduzida pela própria Petrobras. Já vinha lá da primeira. Era um padrão, uma linha que tinha, de 1%, com algumas empreiteiras – afirmou Barusco.

Questionado se o esquema continuaria em vigor caso não tivesse a Operação Lava-Jato, Barusco disse ser possível que tudo tivesse continuado. Ele ressaltou que o valor de 1% foi o combinado e que até quando saiu da Sete Brasil, em 2012, pouco havia sido realmente pago.

– Tinha um percentual de 1% sobre os contratos dos estaleiros. Houve a combinação. Era uma combinação só. Não é pegar que os contratos eram de US$ 24 bilhões, então era US$ 240 milhões. Não era bem assim. E a divisão era de 2/3 para o Partido dos Trabalhadores e 1/3 para algumas pessoas, o Renato Duque (ex-diretor da Petrobras), Roberto Gonçalves (ex-gerente da Petrobras), eu, o João Ferraz (ex-presidente da Sete Brasil) e o Eduardo Musa (ex-diretor da Sete Brasil).Disso, muito pouco foi realizado – disse Barusco.

Ele ressaltou que como diretor de Operações da Sete Brasil não teve participação na negociação de contratos de financiamento junto ao BNDES e outros operadores financeiros. Disse que isso ficou a cargo de João Ferraz. Reconheceu que o financiamento do banco de fomento era tido como fundamental para o sucesso do empreendimento.

Barusco disse que foi o responsável pela decisão que deixou de fora o estaleiro OSX, de Eike Batista, de fora do projeto da Sete Brasil. Afirmou que isso ocorreu porque a proposta financeira não era a melhor. Disse não ter recebido qualquer pressão para incluir a empresa.

Ele foi questionado sobre qual patrimônio lhe restou após a delação. Citou ter ficado com um apartamento na Barra da Tijuca, dois terrenos e afirmou que sua situação patrimonial está sendo discutida com a Receita Federal.

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