Para petistas, ato de Cunha deixa às claras chantagem contra governo
Redação DM
Publicado em 2 de dezembro de 2015 às 06:55 | Atualizado há 11 anosBRASÍLIA – Logo depois de o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), anunciar no Salão Verde que aceitava o pedido de impeachment dos juristas Hélio Bicudo e Miguel Reale Junior e voltar para seu gabinete, os deputados petistas Paulo Pimenta (RS) e Wadih Damous (RJ) fizeram questão de usar o mesmo púlpito para classificar a atitude de “revanchismo” e “golpe” e anunciar que o partido reagirá no Congresso e também via Supremo contra o que consideram “abuso de poder”. Segundo Pimenta, a atitude coloca às claras para a população a “chantagem” que está sendo feita por ele não só em relação ao impeachment, mas também em votações na Casa.
— Tenho absoluta convicção que é uma atitude de revanchismo diante da decisão do PT de votar pela admissibilidade do processo contra ele no Conselho de Ética. Esse é o ponto culminante de um processo que não é só de chantagem com o governo, mas com o país. Vinham sendo feitas exigências absurdas em relação ao PLN 5 (que muda a meta fiscal de 2015) — disse Pimenta, acrescentando:
— Não aceitaremos, é golpe. E Cunha não tem legitimidade para um ato desse, que encaramos como afronta à Constituição Federal. O presidente usa a estrutura da Câmara e da pauta legislativa como instrumento de pressão em em benefício próprio.
O deputado Rubens Júnior (PCdoB-MA) também criticou Cunha:
— Ele está retaliando o PT pela provável admissibilidade de seu processo no Conselho de Ética. Uma coisa não deveria se confundir com a outra. E não há processo de impeachment sem rito definido.
GUERRA PARA O DEBATE
O líder do PT na Câmara, Sibá Machado (AC), afirmou que o partido está preparado para a guerra no debate sobre o impeachment. Apesar de a decisão de aceitar o pedido ser do presidente da Câmara, Sibá culpou o PSDB pelo tema ter entrado na agenda.
— Vamos para a guerra! Esperamos discutir no voto. Depois de uma eleição com o nível mais baixo que já tivemos, o PSDB agora macula a história do Brasil ao não aceitar uma derrota eleitoral — afirmou.
Ele acusou os tucanos de terem se escondido de forma “covarde” atrás do jurista Hélio Bicudo, ex-petista. Sibá negou-se a fazer comentários sobre a situação do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, no Conselho de Ética dizendo que não quer misturar os assuntos.
SENADORA DO PSB CRITICA CUNHA
A senadora Lídice da Mata (PSB-BA) criticou a decisão de Eduardo Cunha, de dar início ao processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, ressaltando o “mal-estar” causado no Congresso.
— Causa mal-estar o presidente da Câmara, publicamente, trocar uma coisa pela outra. Sou de um tempo em que se votava pelas convicções e não por um toma lá dá cá — afirmou, referindo-se à decisão de Cunha ter sido tomada logo depois de saber que o PT votaria em desfavor dele na Comissão de Ética da Câmara.
Para a senadora, é hora de a presidente Dilma “enfrentar abertamente” a ameaça do impeachment.
— Eu, no lugar dela, apressaria todos os procedimentos para enfrentar essa votação, porque isso descontrairá o mito do impeachment como uma suspeita sobre ela — destacou.