Cotidiano

Após onda de protestos, Alckmin diz que ‘há nítida ação política’

Redação DM

Publicado em 2 de dezembro de 2015 às 01:55 | Atualizado há 11 anos

SÃO PAULO – Em menos de 24 horas, oito pessoas foram detidas em uma onda de protestos de estudantes contra a reorganização escolar da rede estadual em São Paulo. Só nesta quarta-feira, quatro pessoas foram levadas para o 23º Distrito Policial (Perdizes), sendo dois menores, durante mais uma manifestação, na capital. Um grupo de cerca de 20 estudantes interditou a Avenida Doutor Arnaldo, no sentido Sumaré, próximo à Avenida Paulista. Houve confronto entre alunos e policiais militares no momento em que os soldados começaram a retirar as carteiras escolares colocadas na via. Quase no mesmo horário, a Avenida Giovanni Gronchi, no Morumbi, também foi interditada por manifestantes. O governador Geraldo Alckmin (PSDB) diz que é “nítido que há ação política por trás dos protestos”.

Na terça-feira, o governador de São Paulo publicou um decreto que autoriza a transferência de funcionários da Secretaria da Educação de uma escola para outra dentro do programa de reestruturação da rede estadual de ensino. Apesar da publicação do decreto no Diário Oficial do estado, os alunos prometem não desistir do movimento.

– Não é razoável obstrução de via pública, é nítido que há uma ação política no movimento. Há uma nítida ação política – disse Alckmin, durante evento no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista.

Os detidos desta quarta-feira, dois menores e dois adultos, foram encaminhados para o 23º DP (Perdizes). Um adolescente de 16 anos afirma que foi tratado com truculência pelos policiais e que “levou uma rasteira de um policial e foi arrastado”. Ele tem um ferimento no tórax. O jovem é estudante da escola Fernão Dias Paes, a primeira da capital a ser ocupada. Um outro estudante, também de 16 anos, foi detido. Outros estudantes também foram àdelegacia para prestar apoio aos detidos.

Um dos maiores, identificado como Cebola, de 20 anos, afirma ter sido agredido com cassetete. Ele foi levado a um pronto-socorro e levou três pontos na cabeça. O outro é Ederson Duda, ativista de 28 anos. A ocorrência foi registrada como desacato e ato infracional por desacato no caso dos menores. As 40 carteiras apreendidas serão devolvidas.

O protesto na Avenida Doutor Arnaldo começou por volta das 7h30m. Meia hora depois, segundo os alunos, chegaram as viaturas da PM. Os estudantes afirmam que tinham combinado com a PM em liberar a avenida e ocupar outra rua próxima. Isso porque a Avenida Doutor Arnaldo é via de acesso de hospitais como Instituto do Câncer, Hospital das Clínicas, Incor e Emílio Ribas. Os alunos disseram que de repente, as carteiras foram retiradas por PMs. Numa tentativa de recolocar as cadeiras no meio da avenida, começou o confronto. Alckmin também citou a obstrução do acesso aos hospitais.

– Ainda mais na Doutor Arnaldo. Só o Instituto do Câncer, são mil pacientes por dia que precisam ter acesso. A polícia dialoga, a polícia conversa, pede paras pessoas saírem. Agora, não dá para prejudicar quem precisa trabalhar. É preciso ter um mínimo de bom senso. Não é correto causar problema para outras pessoas – disse o governador, ao citar o ato desta quarta. A avenida é considerada uma das mais importantes da cidade, liga a Zona Oeste à Avenida Paulista e fica na região do Hospital das Clínicas.

OUTROS PROTESTOS

Mais cedo, outro grupo bloqueou a Avenida Giovanni Gronchi, na altura da Rua Charles Chaplin, no Morumbi, Zona Sul. Eles ocuparam os dois sentidos da via. Na Bela Vista, região central, houve confronto de alunos com a PM, que chegou a usar spray de gás pimenta. A corporação disse que entrou na escola, porque um rapaz que não era aluno invadiu e agrediu um diretor.

Na noite de terça-feira, alunos usaram cadeiras para bloquear os dois sentidos da Avenida Nove de Julho por mais de duas horas e meia. O protesto terminou em confusão. Quatro manifestantes foram detidos e liberados durante a madrugada.

No balanço da Secretaria Estadual de Educação, cerca de 190 escolas foram ocupadas por alunos e manifestantes contrários à reestruturação. O número apurado pelo Sindicato dos Professores (Apeoesp), no entanto, contabiliza 208 unidades paralisadas.

De acordo com o decreto, publicado no Diário Oficial do estado, a transferência vale para “casos em que as escolas da rede estadual deixarem de atender um ou mais segmentos, ou, quando passarem a atender novos segmentos”. A reorganização da rede tem como um dos objetivos organizar as escolas por ciclos, concentrando alunos de uma mesma faixa etária numa mesma unidade.

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