‘Violência revela desespero de Maduro’, diz Mitzy Capriles
Redação DM
Publicado em 1 de dezembro de 2015 às 05:05 | Atualizado há 11 anosBUENOS AIRES – O assassinato do dirigente opositor venezuelano Luis Manuel Diaz mostra “o desespero do governo de Nicolás Maduro, diante de um cenário eleitoral adverso e irreversível”, segundo Mitzy Ledezma. Ela é mulher do prefeito destituído de Caracas, o também opositor Antonio Ledezma, que cumpre prisão domiciliar há meses. “Não temos medo”, disse Mitzy, militante da Mesa de Unidade Democrática (MUD), em entrevista ao GLOBO, em Buenos Aires, onde se reuniu dias atrás com o presidente argentino eleito, Mauricio Macri. Ela assegurou que Macri “está profundamente interessado na situação da Venezuela e vai nos ajudar a recuperar nossa democracia”.
Nesta visita, o novo governo da Argentina expressou preocupação sobre a Venezuela?
Trouxemos uma carta da MUD para Macri, na qual agradecemos seu apoio incondicional. Todos estão muito atentos ao que está acontecendo em meu país. As loucuras do governo de Maduro são cada vez mais graves. Ninguém sabe o que pode acontecer. É possível que uma missão de congressistas argentinos viaje para Caracas, para acompanhar o processo eleitoral.
Quem iria?
Não queremos revelar nomes, mas são deputados e senadores da aliança de Macri. O presidente eleito está altamente interessado no processo político venezuelano. Está ficando claro por que o governo não permitiu uma observação eleitoral de qualidade. Estão dedicados a mandar seus delinquentes a marchas da oposição, cometer atrocidades.
A MUD pede a ajuda dos países…
Sim, seria necessário e importante que a mediação de vários países ibero-americanos ajudasse neste processo. Achamos que a atitude de Macri provocará um efeito dominó.
Qual é a expectativa da MUD em relação ao Brasil?
Você pode passar um tempo fingindo que os problemas não existem, mas, em determinado momento, esses problemas crescem e é necessário se posicionar com firmeza. É isso o que acontecerá com o Brasil.
Lilian Tintori (mulher de Leopoldo López, preso desde 2014) disse que quiseram matá-la…
Não é somente ela: toda a oposição corre riscos. Nós, Capriles, Maria Corina, nossos líderes regionais. Mas o medo não vai nos paralisar.
Como imagina o 7 de dezembro?
O governo terá que admitir a derrota e sentar-se à mesa para discutir uma nova Venezuela. Devem abandonar os caminhos da violência. Se somos uma democracia, o governo deverá respeitar o resultado.
Qual será a estratégia da oposição nos próximos dias?
Não temos medo. Temos vontade de avançar, trabalhar pela Venezuela, para recuperar nossa democracia. Não vamos aceitar que nos matem por dizer o que pensamos. A violência mostra o desespero do governo, porque sabe que vai perder.