Vale corta investimento para 2016 em 24% e reduz previsão de produção de minério de ferro
Redação DM
Publicado em 1 de dezembro de 2015 às 04:55 | Atualizado há 11 anosNOVA YORK e RIO – A Vale revisou a projeção de investimento deste e do próximo ano, segundo apresentação feita pela diretoria da empresa na Bolsa de Nova York nesta terça-feira. Para este ano, a estimativa ficou em US$ 8,2 bilhões, ante US$ 10,1 bilhões anunciados um ano antes. Para 2016, a empresa pretende investir US$ 6,2 bilhões, abaixo dos US$ 7,6 bilhões estimados em apresentação feita em janeiro de 2015. Considerando os números revisados, a Vale vai cortar em 24% o investimento em 2016.
Será o quinto ano consecutivo de corte de orçamento. Os cortes sucessivos se devem, principalmente, ao ciclo de maturação dos grandes investimentos da companhia. Desde que assumiu a presidência da empresa, em maio de 2011, Murilo Ferreira tem buscado priorizar projetos mais rentáveis e de classe mundial. Um dos exemplos é o S11D, ampliação do complexo de minério de ferro de Carajás (PA), hoje orçado em cerca de US$ 16 bilhões e que deve entrar em operação no segundo semestre de 2016.
EFEITO DO CÂMBIO
A revisão dos números também se deve a otimizações em alguns projetos e à desvalorização do real. Nos anos que se seguem a 2016, os investimentos continuam em trajetória de queda, até alcançar US$ 4,2 bilhões em 2020, sendo maior parte destinada a manutenão de projetos (US$ 3,1 bilhões). A taxa de câmbio considerada nas estimativas para os anos a partir de 2016 foi de R$ 3,80.
A estratégia da Vale também é um reflexo do fraco cenário para o minério de ferro, carro-chefe da empresa. O preço do minério vem caindo, num momento em que ainda há forte demanda por investimentos.
A companhia também anunciou redução na previsão de produção de minério de ferro. A de 2015 foi mantida em 340 milhões de toneladas. A de 2016 passou de 376 milhões de toneladas para al go entre 340 milhões e 350 milhões de toneladas. As previsões para 2017 e 2018 foram igualmente revisadas para baixo.
Em Nova York, Ferreira reconheceu que os resultados da companhia têm sido afetados pela queda do preço mundial das commodities. E lembrou que o valor da tonelada do minério de ferro passou de US$ 191 para US$ 40. Por outro lado, ele acredita que o corte de investimentos e de custos vai permitir que seu (ponto de equilíbrio entre receita e custos) passe de US$ 32 a tonelada para US$ 23 a tonelada em 2018.
break-even
CRISE POLÍTICA
Ferreira acredita que a queda nos preços globais de produtos afeta a economia brasileira, mas cita fatores políticos para explicar a forte recessão do Brasil.
— É claro que vamos pagar muito menos impostos para o país, se compararmos quando a tonelada de minério de ferro estava em US$ 191. (hoje está em torno de US$ 40) — disse ele, lembrando que o mesmo coorrerá com outras empresas que sofreram queda do preço de seus produtos, como petróleo, café, açúcar e álcool. — Mas nós temos no Brasil uma turbulência adicional, a política, que já dura quase um ano e que faz com que os políticos fiquem muito concentrados nela. Isso impede que o Cogresso aprove medidas que poderiam aliviar esta sofreguidão.