Economia

Fazenda diz que ajuste fiscal é caminho para volta do crescimento

Redação DM

Publicado em 1 de dezembro de 2015 às 03:50 | Atualizado há 11 anos

BRASÍLIA – O Ministério da Fazenda comentou a queda histórica do Produto Interno Bruto (PIB, soma de bens e serviços produzidos no país) no terceiro trimestre de 2015, de 1,7% em relação aos três meses anteriores, por meio de uma nota à imprensa. Embora nos bastidores os técnicos não tenham se surpreendido com o número ruim, oficialmente, o posicionamento da Fazenda foi de que o resultado ficou abaixo do esperado pela Secretaria de Política Econômica (SPE), que trabalhava com uma retração de 1,1%, e pelo próprio mercado, que esperava uma redução de 1,2%.

A nota atribui o fraco desempenho da atividade “a incertezas econômicas e não econômicas” que derrubaram a confiança das empresas e dos trabalhadores. E diz ainda que o país está passando por um processo de reequilíbrio decorrente da queda dos preços de commodities e do desaquecimento da economia mundial.

A equipe do ministro Joaquim Levy tomou o cuidado de destacar que o ajuste fiscal, que reduziu os gastos do governo, especialmente com investimentos, não é o responsável pelo quadro. A nota destaca que o reequilíbrio das contas públicas é o que vai permitir a recuperação da confiança, do grau de investimento e do crescimento da economia:

“A consecução do ajuste fiscal, com mitigação do risco de perda do grau de investimento e que logre recuperar a confiança dos agentes econômicos, é fator indispensável para a reversão do cenário menos favorável em que tem se movido a economia brasileira nos últimos trimestres, notadamente a queda do investimento total, que persiste desde 2013”.

A nota da Fazenda destaca ainda a queda de 4% nos investimentos e atribui esse resultado ao impacto da operação Lava-Jato nas operações da Petrobras. “Para essa retração contribuíram, entre outros fatores, os efeitos diretos e indiretos da redução dos investimentos da Petrobras e situações específicas de alguns de seus fornecedores, notadamente na área da construção civil”, afirma o texto. Pelas contas da Fazenda, a redução dos investimentos da Petrobras tem um impacto negativo de dois pontos percentuais no PIB de 2015.

Ainda segundo a Fazenda, a queda no consumo das famílias, de 1,5% no terceiro trimestre, também impactou a atividade econômica e foi provocada pela alta da inflação, que corroeu o poder de compra dos brasileiros. De acordo com o texto, esse quadro mostra que é importante o esforço do governo para fazer os índices de preços convergirem para o centro da meta, de 4,5% ao ano.

“A retração do consumo explica-se em boa parte pela persistência da inflação em vários segmentos, que tem corroído o poder de compra dos trabalhadores e das famílias em um ambiente de pouco dinamismo no mercado de trabalho. O combate à inflação, inclusive no setor de serviços e com a convergência da variação do IPCA para a meta de 4,5% ao ano, permanece, portanto, central para a manutenção do poder de compra e recuperação da atividade econômica”, diz a nota.

CRÍTICAS À POLÍTICA FISCAL

O presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção Civil (Cbic), José Carlos Martins, disse que o resultado do PIB mostra que a condução da política fiscal está equivocada. Segundo ele, o ajuste vem sendo feito em cima dos investimentos, enquanto que os gastos públicos permanecem inalterados, principalmente as despesas obrigatórias.

— Está claro que a opção seguida que foi de fazer o ajuste em cima do investimento não deu certo — disse Martins.

O resultado, destacou ele, é que a economia entrou em recessão, a arrecadação está em queda e déficit das contas públicas, só aumenta. Apesar das dificuldades politicas, ele defende que o Executivo tenha coragem para fazer as reformas necessárias.

Segundo Martins, o setor da construção civil enfrenta sérias dificuldades, com atrasos nos repasses dos recursos federais que já somam 135 dias. Só no Rio Grande do Sul, 17 empresas entraram com pedido de recuperação judicial, observou.

Para o líder do PSDB na Câmara, Carlos Sampaio (SP), os dados negativos em relação ao PIB só aumentam a pressão pela saída da presidente Dilma do poder:

— O PIB está despencando 4,5%. Os dados do IBGE só fazem mostrar que a crise vai aumentar e a solução é uma só: impeachment, afastamento da presidente Dilma pelo tanto que ela faz mal ao país. Enquanto o PT estiver no poder, não há esperança de melhora.

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