Artigo: Entre o medo, a ameaça e a confusão
Redação DM
Publicado em 28 de novembro de 2015 às 05:05 | Atualizado há 11 anosA proximidade das eleições parlamentares tem no governo um efeito letal. Por um lado, a possibilidade certa de perdê-las, e, por outro, a tragédia que isso traz para os maiorais da chamada revolução bolivariana fizeram dela um fim em si mesmo. Ou seja, perpetuar-se (?) para manter os privilégios e regalias que têm desfrutado ao longo dos anos. Então, o dilema está em aceitar seu fracasso de maneira normal, como em qualquer país democrático que afirma ser, ou pelo contrário, debater-se até o fim para ver o quão longe a corda pode ser esticada.
A estratégia de campanha é a de qualquer governo autoritário: aterrorizar a população para fazê-la ver que, se eles perderem, a Venezuela entraria numa espiral de violência e instabilidade que só eles poderiam controlar. Esta estratégia não é nova. Chávez, em seus momentos mais difíceis, também a utilizou: “Depois de mim, o dilúvio, o caos, a hecatombe”. Algo semelhante aconteceu nas eleições argentinas, em um tom muito mais moderado, no que diz respeito à não continuidade de programas sociais, um populismo levado a sua máxima expressão, no caso de que Macri vencesse, como aconteceu. Mas lá são um pouco mais civilizados (não muito mais) do que os revolucionários vernáculos acostumados a perseguir e atacar de maneira inclemente quem se atreva a divergir.
Diante da iminência da derrota, para não mencionar as advertências verbais apocalípticas de Maduro e Cabello, deu-se início a um ciclo de violência física seletiva contra dirigentes icônicos da oposição, como Henrique Capriles, Lilian Tintori, Miguel Pizarro e outros. Esses fatos indicam que, à medida que Maduro se sinta mais encurralado, a escalada será maior, atingindo o seu clímax em 6 de dezembro e, talvez, nos dias posteriores. Afortunadamente, diante do incômodo com o agravamento da crise, os venezuelanos irão reagir da maneira oposta. Com uma violência maior, também haverá uma maior participação nas urnas, para sair deste labirinto infernal. Com isto quero dizer que o grupo não só votará contra a má gestão de Maduro, mas contra o medo de que ele iria impor. Contra o medo votarão pela Unidad! (o partido Mesa de Unidade Democrática).
De outro lado, está a manobra ridícula de confusão implantada com a MIN-Unidad, que a Comissão Nacional Eleitoral permitiu que fosse colocada justamente ao lado do nome da MUD. Para isso se prestou Willian Ojeda, que chegou ao extremo de usar os símbolos do partido Um Novo Tempo para tentar enganar os eleitores. Por isso, uma das tarefas fundamentais da Mesa de Unidade Democrática e os partidos que a integram é dedicar a maior parte do tempo restante, e os recursos a seu alcance, para “ensinar” a votar muitos dos que poderiam ser vítimas destes canalhas políticos.
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