Cotidiano

Artistas e intelectuais fazem manifesto contra Maduro

Redação DM

Publicado em 28 de novembro de 2015 às 01:20 | Atualizado há 11 anos

CARACAS — Pelo menos quarenta intelectuais e artistas latino-americanos e espanhóis, incluindo Mario Vargas Llosa, Fernando Savater, Félix de Azúa, Andrés Trapiello, Santiago Roncagliolo, Fernando Iwasaki e Alberto Barrera, assinaram o manifesto “Intelectuales por la libertad en Venezuela” (Intelectuais pela Liberdade na Venezuela) apresentado, neste sábado, em Madri. Na carta, as personalidades pedem ao governo que respeite os direitos humanos, a liberdade de expressão e o resultado das eleições legislativas marcadas para 6 de dezembro no país.

O assassinato a tiros, na quarta-feira, do líder da oposição Luis Manuel Díaz, dirigente do partido Ação Democrática (AD), enquanto participava de um comício, inflou os ânimos, poucos dias antes do pleito.

“Repudiamos a politização dos poderes públicos, o que impede que exista um controle do presidente, uma justiça real e um árbitro eleitoral imparcial, para garantir a conformidade com a Constituição”, diz o início do texto que alerta para a “corrupção que se instalou na Venezuela” e “o colapso das instituições”.

O manifesto que, segundo os organizadores, surgiu espontaneamente depois da morte de Díaz, faz parte das ações da chamada Caravana por la Libertad en Venezuela (Caravana pela Liberdade na Venezuela) que, nos últimos dias, promoveu diferentes atividades em Lisboa e Madri. Na sexta-feira à tarde, no Círculo de Bellas Artes da capital espanhola, sete intelectuais e artistas venezuelanos — os escritores Alberto Barrera, Domenico Chiappe e Juan Carlos Méndez Guédez; o cineasta Oscar Lucien; o fotógrafo Alexander Apóstol; a cantora lírica Elvia Sánchez; e a artista plástica Diana López — denunciaram a grave situação no país.

“Os disparos contra Luis Manuel Díaz respondem ao ‘seja como for’ de Nicolás Maduro para ganhar as eleições”, disse Barrera.

A iniciativa é promovida por Maite Pagazaurtundua, porta-voz do partido espanhol União, Progresso e Democracia (UPyD) no Parlamento Europeu, também signatária do manifesto, e pelo deputado português José Inazio Faria, do Partido da Terra. Os autores da carta abordam, no documento, a insegurança na Venezuela que, em suas palavras, funciona como um método de “coerção social”. Eles também fazem referência ao sistema que exige que os cidadãos registrem sua impressão digital em máquinas controladas por “aparatos de repressão do Estado”, para as atividades mais básicas: do direito ao voto à compra de alimentos.

No entanto, a maior demanda dos signatários do manifesto — alguns são forçados a viver fora do país por conta da situação política e, por isso, pedem o retorno dos exilados — é que o governo de Maduro respeite a dissidência e conceda anistia para as dezenas de presos políticos e cidadãos comuns cujo único crime foi o de expressar uma opinião contrária à do governo nas redes sociais.

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