Cotidiano

Dilma passa recado a Maduro de que não gostou da omissão no veto a Jobim

Redação DM

Publicado em 27 de novembro de 2015 às 07:35 | Atualizado há 11 anos

BRASÍLIA – O assessor para assuntos internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, transmitiu duas mensagens da presidente Dilma Rousseff ao líder venezuelano Nicolás Maduro, durante sua visita a Caracas no último dia 20 deste mês. Além da carta pedindo transparência nas eleições parlamentares de 6 de dezembro na Venezuela escrita por Dilma, conforme antecipou O GLOBO na última quarta-feira, Garcia disse a Maduro que a presidente brasileira não gostou do fato de as autoridades daquele país não terem se manifestado oficialmente sobre o veto ao nome do jurista Nelson Jobim para participar da missão de observadores da União de Nações Sul-Americanas (Unasul).

Ex-ministro da Justiça e ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Jobim iria chefiar a missão. Com o veto, negado pelo governo Maduro, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que já vinha se queixando das restrições impostas pelas autoridades daquele país em termos de locais de votação, entre outros itens, acabou desistindo de ir à Venezuela.

O recado de Garcia foi dado de forma sutil. O foco principal da reunião foi a carta de Dilma, que dizia que o Brasil estava preocupado com a isenção das eleições venezuelanas. Ela argumentou que, com essa inflexão à direita que tem sido verificada nos países da América Latina, não é bom que o pleito venezuelano seja encoberto por suspeições.

A carta de Dilma foi encaminhada a Maduro em uma sexta-feira, dois dias antes de o empresário Maurício Macri vencer as eleições na Argentina, derrotando o candidato kirchnerista Daniel Scioli, no domingo. No dia seguinte, Macri anunciou que proporá ao Mercosul a suspensão da Venezuela do bloco, sob a alegação de que a democracia não tem sido respeitada naquele país.

Essa proposta deverá ser feita aos países do bloco sul-americano no próximo dia 21 de dezembro, durante reunião de cúpula em Assunção, no Paraguai. O Brasil e o Uruguai tendem a se opor a esse pedido, sob o argumento de que Nicolás Maduro foi eleito democraticamente.

Já o Paraguai deve apoiar o presidente eleito argentino. Isto porque Maduro foi um dos principais articulares da suspensão dos paraguaios do bloco, por considerar um golpe de Estado a destituição do então presidente Fernando Lugo pelo Congresso daquele país.

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