Um pacto para que apoio ao esporte continue no pós-2016
Redação DM
Publicado em 21 de novembro de 2015 às 05:05 | Atualizado há 11 anosPaís-sede dos Jogos Olímpicos, em agosto do ano que vem, o Brasil está se empenhando em construir arenas e em reformular seu sistema de transporte. Mas continua carente de uma política nacional de esporte. Por isso, quando os talentos surgem nas mais diversas modalidades, isso se deve a talentos que brotam e à dedicação de professores. Numa tentativa de solucionar esse antigo problema, a organização Atletas pelo Brasil vem negociando com 20 empresas e com o Ministério do Esporte, olhando para o pós-2016.
— Nós lançamos em outubro o Pacto Nacional do Esporte, exatamente para manter e ampliar o número de empresas que se sentem confiantes em investir no esporte — afirmou Ana Moser, presidente da organização Atletas pelo Brasil. — É um legado de gestão e de transparência. Não é construção como ginásio, ponte ou metrô. Mas é um legado esportivo, algo que vai ficar para a estrutura do esporte do Brasil. Vai ajudar a construir o novo sistema nacional do esporte.
Ex-estrela do vôlei nacional, com o bronze nas Olimpíadas de Atlanta-1996, a prata no Mundial de 1994 e os outros nas edições do Grand Prix de 1994, 1996 e 1998, Ana Moser preside uma entidade que reúne 60 atletas e ex-atletas, que vêm lutando pela melhoria do esporte e, por meio do esporte, pelos avanços sociais do País. Fundada em 2006, a entidade contribuiu para a aprovação do artigo 18-A da Lei 12.868 (Lei Pelé). Esse artigo estabeleceu regras para dar mais transparência às entidades esportivas. Ano passado, em meio ao processo eleitoral, a Atletas pelo Brasil divulgou uma carta aos candidatos à Presidência da República, apresentando reivindicações da comunidade desportiva.
O Pacto Nacional do Esporte começou a ser elaborado em agosto de 2014, e suas bases foram finalizadas em outubro último, quando o texto foi lançado.
—Nós fomos procurados pelas empresas, por causa da nossa participação no artigo 18-A da Lei Pelé. Elas queriam fazer valer o patrocínio e se basear na lei anticorrupção. Evitar a corrupção era a maior preocupação das empresas. Nós procuramos o Instituto Ethos (que visa a mobilizar, sensibilizar e ajudar as empresas a gerir seus negócios de forma socialmente responsável), por sua respeitabilidade no setor, e convidamos, mobilizamos e sensibilizamos as empresas para que discutissem o Pacto — relatou Ana Moser. — Este foi construído a partir dessas reuniões. O Pacto não acabou. Ele está começando, e as empresas e as entidades patrocinadas (clubes e federações) terão dois anos para adequar os novos contratos. O Pacto não tem um prazo. Tem duração indefinida.
Para atrairem os patrocínios das empresas, as federações e os clubes terão de se adequar às normas de gerenciamento que incluem transparência, planejamento, metas, transparência e resultados.
— O Pacto estabelece uma série de premissas e é governado por uma diretoria executiva e por câmaras temáticas, que são administradas pelas próprias empresas — disse a ex-atleta. — As premissas do Pacto são prestação de contas, transparência, gestão, adequação de estruturas e participação de atletas. Este ítem é um que ainda não está em prática. Essas medidas visam ao combate à corrupção. É preciso criar um ambiente democrático.
Até o momento, já assinaram o Pacto: Aché, Banco do Brasil, Bradesco, BRF, Carrefour, Centauro, Coca Cola, Construtora Passarelli, Correios, Decathlon, Estácio, EY, Gol, Itaú, Johnson & Johnson, McDonald´s, P&G, Somos Educação, TAM e Vivo. Ana Moser observou que a Lei Pelé, originalmente, visa mais ao futebol e aos esportes de alto rendimento.
— Mas, como se faz com o esporte amador, com as atividades da terceira idade, a educação física infantil? Temos informações de que 50% das nossa população não pratica atividade física. Dos 50% que praticam, 90% o fazem por conta própria, sem orientação de um profissional — calculou a ex-atleta.
Ela antecipou que no dia 9 de dezembro, em São Paulo, será lançado o segundo relatório da série Cidades do Esporte, por meio do qual os municípios que foram sedes da Copa do Mundo de 2014 elaboraram ampla pesquisa sobre a prática de esportes por suas respectivas populações.