Deputados americanos barram sírios
Redação DM
Publicado em 20 de novembro de 2015 às 05:07 | Atualizado há 11 anosWASHINGTON – Mais de dois terços dos deputados americanos aprovaram ontem um projeto de lei que visa a dificultar o programa do presidente Barack Obama de receber até 10 mil refugiados sírios nos Estados Unidos este ano. A iniciativa dos republicanos, que também afeta iraquianos, foi tomada como resposta aos atentados. O objetivo é evitar a entrada de terroristas infiltrados, embora especialistas critiquem a medida, por considerá-la desumana.
— Isso reflete nossos valores e nossas responsabilidades. Não podemos e não devemos esperar para agir quando a nossa segurança nacional está em jogo. Se nossas forças de segurança e Inteligência não podem verificar que cada pessoa que vem aqui não seja uma ameaça à segurança, então não deve deixá-las entrar — afirmou o republicano Paul Ryan, presidente da Câmara dos Representantes, após a votação.
O projeto de lei estabelece que o FBI, o Departamento de Segurança Nacional e o Centro Nacional Antiterrorista certifiquem que cada refugiado sírio ou iraquiano não representa ameaças à segurança nacional. A Casa Branca informou que essa lei “introduz requisitos desnecessários e pouco práticos que dificultam de forma inaceitável os nossos esforços para ajudar algumas das pessoas mais vulneráveis do mundo”.
O projeto contou com o apoio de 47 deputados democratas, que abandonaram a posição de Obama. O texto agora vai para o Senado, onde não deve ser apreciado até o feriado de Ação de Graças, na próxima quinta-feira. Segundo o “Washington Post”, os senadores deverão analisar com mais calma o projeto. Eles estão debatendo questões mais profundas, como a isenção de visto para cidadãos de 38 países. Deste grupo, cerca de 20 milhões de pessoas vão aos EUA por ano, com uma análise menos rigorosa para entrar no país.
O presidente americano já indicou que vai vetar a medida caso ela passe pelos senadores. Mas o forte apoio entre os deputados indica que o veto presidencial poderia ser derrubado na casa — ficando uma dúvida sobre a posição do Senado. Um veto necessita de dois terços de votos nas duas casas para ser derrubado, algo que acontece em menos de 10% das vezes.
— Não se tomam boas decisões baseadas na histeria ou no exagero na avaliação de riscos — disse Obama em viagem oficial nas Filipinas.
Karin Johanson, diretor da União Americana de Liberdades Civis, criticou a medida. Ela afirma que o processo para recebimento de refugiados nos Estados Unidos já é um dos mais rigorosos do mundo.
— Os defensores desta lei querem que os EUA virem as costas para os refugiados que buscam um porto seguro, fugindo do terrorismo que todos nós detestamos. Isso não é liderança, é um ato de impulso reacionário e discriminatório.
Desde a semana passada aumentou o temor de novos ataques no país, junto a um movimento contra muçulmanos. Um total de 31 dos 50 estados informaram que eram contra o recebimento de sírios. Especialistas também afirmam que o país está vivendo um novo pico de islamofobia. Alguns políticos sugeriram que os EUA só aceitasse refugiados cristãos.
O país também ampliou a segurança em diversas cidades, temendo novos ataques terroristas em solo americano. Nesta semana, o governo Barack Obama reforçou a campanha em prol do recebimento de refugiados, mostrando em redes sociais pessoas que fugiram de guerras ou seus descendentes, como a ex-secretária de Estado Madeleine Albright e Sergey Brin, co-fundador do Google. Desde outubro de 2011, os Estados Unidos receberam 2.159 refugiados sírios, segundo o Departamento de Estado. Obama receberá Hollande na próxima terça-feira em Washington, quando vão debater o combate ao Estado Islâmico e o fim da Guerra da Síria.