Cotidiano

Néstor Kirchner, um nome onipresente na Argentina

Redação DM

Publicado em 19 de novembro de 2015 às 05:11 | Atualizado há 11 anos

BUENOS AIRES – No último ano e meio, o jornalista argentino Leonardo Míndez divulgou, no blog “Ponha Néstor em tudo”, mais de 170 homenagens ao ex-presidente argentino Néstor Kirchner (2003-2007), falecido em outubro de 2010, vítima de um ataque cardíaco. Com a ajuda de muitos colaboradores espontâneos, Míndez obteve informações e fotos sobre ruas, avenidas, estádios de futebol, piscinas públicas, delegacias, bairros, centros culturais e até linhas de ônibus que, nos últimos cinco anos, passaram a chamar-se Néstor Kirchner. O culto ao antecessor de Cristina Kirchner, alimentando pela própria viúva, está em todo o país. A mudança de governo a partir do próximo dia 10 de dezembro, diz Míndez ao GLOBO, “vai limitar este culto a um setor minoritário e poderia, até mesmo, implicar algumas mudanças”.

De fato, o atual ministro de Cultura da cidade de Buenos Aires, Hernán Lombardi, antecipou uma das principais alterações no culto a Kirchner que o candidato da aliança opositora Mudemos, Mauricio Macri, faria caso seja eleito. Lombardi assegurou que um eventual governo de Macri buscaria modificar o nome do gigantesco Centro Cultural Kirchner, localizado a poucos metros da Casa Rosada e inaugurado este ano pela presidente. A obra, considerada faraônica pela oposição, custou, segundo informações oficiais, US$ 303 milhões.

— Se Macri chegar ao governo, vamos mudar o nome do centro, por lei — assegurou Lombardi.

Na capital argentina existe uma lei que proíbe dar o nome de pessoas mortas a lugares públicos antes de passados dez anos de seu falecimento. Mas, como o prédio onde funciona o centro pertence ao governo nacional (era antes a sede do Correio argentino), Cristina conseguiu realizar seu sonho.

— Estamos inaugurado o centro cultural mais importante da América Latina — disse a chefe de Estado, em maio passado.

A lista de atividades e exposições do lugar, que abre de quinta a domingo, é grande. Há peças de teatro, shows, mostras de fotografia e espaços culturais para adultos e crianças. Um dos salões mais importantes do centro é a Sala Néstor Kirchner, onde os visitantes podem ter uma “experiência NK”.

— Pensei em fazer o blog quando Cristina inaugurou uma rodoviária Néstor Kirchner, no ano passado. Hoje já existem sete rodoviárias com o nome do ex-presidente — conta Míndez.

Para o jornalista, que trabalha no “Clarín“, “a adoração ao ex-presidente vai diminuir muito depois da mudança de governo, mesmo que o candidato da situação, Daniel Scioli, ganhe.

— Se Macri vencer, o contraste será mais forte.

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