Polícia prende militante pró-impeachment com armas e soco inglês
Redação DM
Publicado em 13 de novembro de 2015 às 02:15 | Atualizado há 11 anosBRASÍLIA – A Polícia Militar do Distrito Federal prendeu na noite de quinta-feira um dos militantes pró-impeachment da presidente Dilma Rousseff, próximo ao Congresso Nacional, por porte ilegal de armas. Com Jorge Luiz Damasceno Vidal, policial militar reformado, policiais civis encontraram uma pistola 380 Taurus, 12 sprays de mostarda, 16 furadores de coco, 1 porrete e 1 soco inglês. Damasceno era um dos militantes que estão acampados no gramado do Congresso, num movimento pela deposição da presidente. Na manhã desta sexta-feira, a PM faz revista no acampamento e foram encontradas mais armas brancas.
Interrogado logo depois de ser preso na 5ª Delegacia de Policia, Damasceno não explicou o que pretendia fazer com o arsenal. Ainda hoje, a Justiça deverá decidir se mantém ou não a prisão do ativista. Ele foi autuado por porte ilegal de armas. Segundo a Polícia Civil, o militante não tem a devida licença para portar a pistola e os sprays. As armas estavam escondidas dentro do carro do policial, estacionado perto do acampamento dos militantes pro-impeachment.
A apreensão de armas com um dos manifestantes pró-impeachment ocorreu por causa de desentendimento entre os diferentes grupos que defendem a saída de Dilma do poder. Integrante do movimento Ocupa Brasília, que defende a intervenção popular para tirar Dilma do cargo o jornalista escritor Felipe Porto, de 55 anos, contou que ontem chegou ao acampamento deles, no gramado de cima do Congresso, um manifestante chamado Davi Ben Araham, acompanhado pelo sargento reformado Vidal.
O manifestante Ben, segundo Felipe Porto, já tinha trocado farpas pela internet com outro manifestante chamado Tamaio — que já estava acampado na Esplanada. Quando Tamaio viu o Ben, pegou um facão e foi nesse momento que o sargento Vidal chamou a Polícia Militar. Na confusão, Tamaio disse que Vidal escondia armas e quando a PM revistou o carro encontrou as armas.
— O problema é que tem muita gente querendo se apropriar dos movimentos. Eu criei o Ocupa Brasília, tenho três páginas na internet. Queremos derrubar a Dilma pela intervenção popular. Tem outros integrantes que são mais pit bulls, intervencionistas radicais, como Ben. Teve essa briga aqui ontem, mas já estão trocando farpas pela internet faz tempo — contou Felipe Porto.
O manifestante intervencionista também critica o MBL, Vem Pra Rua e Revoltados On Line:
— Nós estamos aqui há muito tempo, estou a mais de um mês e meio. Os coxinhas do Brasil Livre, do Vem Pra Rua chegaram depois e estão acostumados a se apropriar dos nossos movimentos. Tem briga grande na internet, um atacando o outro. Tem fila para dar na cara do Marcello reis, do Revoltados On Line —acrescentou Felipe Porto.
PROTESTO CONTRA CUNHA
Um grupo de cerca de 200 pessoas está concentrado perto do Museu da República, no começo da Esplanada dos Ministérios para protestar contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que é investigado na Operação Lava-Jato.Há vários integrantes de grupos e movimentos sociais simpáticos ao governo, como a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Integrantes do movimento estudantil são aguardados.
Eles devem seguir a pé até o Congresso Nacional, onde estão acampados defensores do impeachment da presidente Dilma Rousseff.