Cotidiano

Atos contra Cunha e impeachment geram tensão em Brasília

Redação DM

Publicado em 12 de novembro de 2015 às 23:35 | Atualizado há 11 anos

BRASÍLIA – Vários grupos que estavam concentrados perto do Museu da República, no começo da Esplanada dos Ministérios, seguiram em passeata até o Congresso na manhã desta sexta-feira para protestar contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que é investigado na Operação Lava-Jato. Eles ocuparam quatro das seis faixas faixas do Eixo Monumental. Segundo a Polícia Militar do Distrito Federal, 4 mil pessoas participam do ato.

Os manifestantes seguiram a pé até o Congresso Nacional, onde estão acampados defensores do impeachment da presidente Dilma Rousseff. O encontro entre os dois grupos gerou um clima de tensão pela possibilidade de um embate. Ontem, , grupo pró-impeachment, armas como uma pistola, soco inglês e furador de coco. O policial reformado Jorge Luiz Damasceno foi preso por porte ilegal de armas.

[object Object]

Ao chegar ao Congresso por volta das 13h, um cordão policial impediu os estudantes de ocuparem rampa. Apesar das provocações, até o momento não houve confronto com os manifestantes pró- impeachment ou com os policiais. O grupo deu a volta no Congresso e retornou em direção à Rodoviária do Plano Piloto. No carro de som, a presidente da UNE, Carina Vitral, provocou os manifestantes acampados favoráveis ao impeachment:

— Não embarcamos na manifestação do MBL, do revoltados online, e de meia duzia de playboys que dizem representar o povo brasileiro — declarou.

Estudantes e movimentos sociais simpáticos ao governo, como a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) participam do protesto. A manifestação é o ponto alto do 41º congresso da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), que começou na quinta-feira e vai até o próximo domingo. Os organizadores contavam com a presença de que dez mil pessoas.

Cerca de 100 manifestantes são ligados à Juventude Socialista Brasileira (JSB), do PSB. Eles também gritam palavras de ordem contra Eduardo Cunha, carregam faixas contra a redução da maioridade penal e o ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Mas não assumem a defesa do governo. A JSB faz oposição à atual direção da Ubes, controlada pela União da Juventude Socialista (UJS), do PCdoB.

— A gente, pelo menos da JSB, entende que o impeachment é um dispositivo legal — disse o secretário nacional de Juventude do PSB, Tony Siqueira, concluindo:

— Nossa pauta é contra o ajuste fiscal e fora, Cunha.

Outro grupo de estudantes secundaristas vindos de São Paulo participam do ato. Apesar de também reivindicarem a saída de Cunha da presidência da Câmara, o grupo, que é ligado ao PSOL, se opõe aos organizadores do movimento, a Ubes. Além do Fora Cunha, eles também querem o Fora Alckimin, pois são contra a reorganização das escolas públicas promovida pelo governo de São Paulo .

— É um absurdo, os alunos são realocados e as escolas estão superlotadas — reclama a estudante Kelly Vidal que veio de Barueri (SP).

Os manifestantes também protestam contra o ajuste fiscal. A União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes) está reunida em Brasília nesta semana em razão de um congresso da entidade. Eles dizem que a passeata também será contra o impeachment de Dilma e contra o corte de verbas na educação.

O secretário-geral da UNE, Thiago Ferreira, criticou o presidente da Câmara e a aprovação de medidas pela Casa como a aprovação da redução da maioridade penal.

— É quase natural que tenhamos aderido ao Fora Cunha, que representa hoje esse conjunto de projetos retrógrados que atingem diretamente os estudantes. Já tivemos o protesto com dólares jogados nele na semana passada como forma de mobilização — disse Thiago.

Embora o protesto seja contra Cunha, há manifestante que sabe muito pouco sobre ele. É o caso de Irene Barbosa, militante do MST acampada no DF. Ela julgava que Cunha fosse o ministro de Minas e Energia. Irene citou várias outros motivos para estar no protesto.

— Um dos motivos é a Petrobras. A barragem em Minas, para as autoridades tomarem providências. E sobre os direitos de todos os trabalhadores — afirmou Irene.

Os manifestantes pararam em alguns ministérios também em frente ao Ministério da Saúde para protestar.

— É um ato em defesa da Petrobras, em defesa da democracia, por mudanças na política econômica. Também somos contra o impeachment de Dilma. É forçação de barra de quem perdeu a eleição. Diferentemente do presidente da Câmara, que tem denúncia da PGR e contas na Suíça — afirmou o presidente da CUT, Vagner Freitas, que também participa da manifestação.

(*Estagiária sob supervisão de Francisco Leali)

Leia também

Siga o Diário da Manhã no Google Notícias e fique sempre por dentro

edição
do dia

Impresso do dia