Cotidiano

Protesto contra Cunha reúne duas mil pessoas em São Paulo

Redação DM

Publicado em 12 de novembro de 2015 às 06:50 | Atualizado há 11 anos

SÃO PAULO — Cerca de duas mil pessoas participaram na noite desta quinta-feira de um protesto contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), em São Paulo, organizado por grupos feministas. As manifestantes se concentraram no vão livre do Masp e seguiram pela Avenida Paulista no sentido Consolação.

Cunha é um dos autores do projeto de Lei 5069/13 que dificulta o aborto legal em caso de estupro. As manifestantes tocam tambores e gritam palavras de ordem como “Fora Cunha” e “Ô Cunha, seu machista. O meu corpo não é sua conta na Suíça”. Elas também carregam cartazes com os dizeres “Criminoso é o Cunha! Aborto legal já!”, “Pílula fica, Cunha sai” e “Meu útero é laico”. Elas pedem a saída do presidente da Câmara e a legalização do aborto.

— A novidade nessa articulação é a diversidade de grupos. Aqui tem mulheres anarquistas, as negras, as transexuais e até as que nem imaginavam se organizar antes das manifestações. E não vamos recuar — disse a advogada Juliana Machado, uma das organizadoras do ato.

Uma das organizadoras do movimento Fora Cunha e integrante da Marcha Mundial das Mulheres, a professora Sara Siqueira, de 31 anos, defende não apenas a saída do presidente da Câmara como a de “toda bancada conservadora que retira o direito das mulheres”.

— Cunha é apenas o expoente da bancada — afirma ela.

O protesto é pacífico, mas dois homens foram detidos por roubar celulares e foram levados para a delegacia.

PROJETO DE LEI

O projeto de Cunha torna crime induzir ou ajudar uma gestante abortar. A lei brasileira já pune essa prática, mas a proposta do deputado cria penas específicas que vão de seis meses a dois anos de prisão.

Caso a indução ao aborto for praticada por agente de serviço público de saúde ou médicos, enfermeiros ou farmacêuticos a pena será de um a três anos de detenção. Se a gestante for menor de 18 anos, o aumento da pena é de um terço.

As exceções são as mesmas que a lei brasileira já admite: em caso de risco a vida da gestante, estupro ou feto anencéfalo. Mas pelo projeto de Cunha a gestante é obrigada a comunicar as autoridades policiais em caso de estupro e fazer exame de corpo delito, o que não acontece atualmente.

PROTESTO TAMBÉM NO RIO

Já no Rio de Janeiro, . Apesar de grupos no Facebook também informarem que haveria protesto contra o secretário de Governo do Rio, Pedro Paulo (PMDB), candidato do prefeito Eduardo Paes à sucessão municipal, que confessou ter agredido a ex-mulher Alexandra Marcondes, o foco do protesto é o presidente da câmara. Ainda assim, o pré-candidato foi lembrado em gritos e cartazes.

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A Polícia Militar afirmou que não informará a estimativa de público. Os manifestantes, entre eles mulheres com filhos pequenos no colo, caminham em direção ao escritório de Cunha na Carioca. Eles gritam palavras de ordem, como “ai, ai, ai, ai, ai se empurrar, o Cunha cai”.

* estagiária sob supervisão de Flávio Freire

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